7 Sóis 7 Luas – Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

O Turismo em Cabo Verde não é recente. Há anos que as ilhas do Sal e da Boa Vista se destacam no panorama mundial como um destino de férias predilecto pelos portugueses mas também por muitas outras nacionalidades, especialmente do norte da Europa.

O bom tempo, ao longo de todo o ano, a segurança do país, as suas gentes maravilhosas e a boa comida, fazem de Cabo Verde uma excelente aposta do turismo. No entanto, a aposta nas Ilhas do Sal e da Boa Vista criou desigualdades incríveis entre as ilhas, no que toca à oferta de emprego,, e isso levou a uma migração crescente de cabo-verdianos para estas ilhas em busca de trabalho, dinheiro, melhores condições de vida e segurança financeira. Com isto, a Diáspora dos cabo-verdianos pelo mundo atenuou ligeiramente mas depressa voltou a disparar.

O sonho de melhores condições de vida nas ilhas do Sal e da Boa Vista rapidamente ruiu. As operadoras multinacionais que gerem os resorts das ilhas pagam salários mínimos, que em 2018 é de 117€. O problema é que os jovens que rumam ao Sal e à Boa Vista precisam agora de arranjar um local para viver e têm que competir no arrendamento das casas com os Airbnbs, com preço para turistas, e com as Casas de Férias que se alugam um pouco por toda a ilha. Os seus salários não lhes permite pagar rendas de casa ou apartamento e, muito menos, quando competem com turistas do norte da Europa.

O resultado desta disparidade entre custo de vida e rendimentos, leva a que no Sal e na Boa Vista, as capitais tenham visto crescer os bairros de lata, nomeadamente a favela da Belavista, na ilha da Boa Vista, e o Bairro de Santa Cruz, em Espargos, na ilha do Sal. Mulheres e homens que trabalham todos os dias, convivem com algumas das pessoas mais afortunadas da Europa, servem-lhes comida à mesa, fazem-lhes a cama, preparam-lhes banhos e spas e servem-lhes bebidas nas piscinas. À mesa há comida que os cabo-verdianos nunca poderão pagar para comer. E mesmo as sobras, os empregados não podem levar. São para deitar fora, numa ilha e num país em que a população luta para alimentar os filhos.  As camas dos hotéis são limpas e fofas, algo que os cabo-verdianos não têm dinheiro para ter. Não há onde comprar colchões de qualidade e também não há dinheiro para os mandar vir de fora. Banhos, spas e piscinas cheias de água, um dos recursos mais escassos da ilha e que, para os cabo-verdianos, atinge valores exorbitantes e que eles não podem pagar.

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

A água é um dos bem mais escassos em Cabo Verde. As ilhas são quase todas muito áridas, e não há água fóssil. Se em Santo Antão a água é renovável durante o período das chuvas, as infraestruturas de captação são muito elementares e escassas. Apesar do esforço e envolvimento da União Europeia em Cabo Verde, que investiu num projecto de criação de poços e furos de captação de água em Santo Antão para o abastecimento das populações e utilização agrícola, a água não é suficiente.

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A água é tão escassa que a maioria das ilhas tem centrais de dessalinização da água do mar, processo que consome imensos combustíveis fósseis e como tal torna o preço da água exageradamente caro, especialmente para quem ganha pouco mais de 100€/mês. Os resorts e hotéis do Sal e da Boa Vista gastam imensa água, que consomem a preço de saldo, fruto dos acordos que estabeleceram há anos.

O Turismo em Cabo Verde pouco tem acrescentado à qualidade de vida dos cabo-verdianos. É urgente repensar o turismo do território. É urgente aprender com as ilhas que não souberam desenvolver um turismo sustentável, quer a nível social como ambiental.

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

É neste contexto que aparece um projecto chamado 7 Sóis 7 Luas, que pretende desenvolver o turismo sustentável em Cabo Verde, dando voz às ilhas periféricas e que perdem população a cada dia que passa. O objectivo do 7 Sóis 7 Luas é apostar na cultura cabo-verdiana, pegando na riqueza cultural deste povo e transformando-a num potencial de desenvolvimento. A música, a gastronomia e a arte são as armas do 7 Sóis 7 Luas.

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

O projecto 7 Sóis 7 Luas foi visto como uma lufada de ar fresco para Cabo Verde. Financiado pela União Europeia, começou com a criação de Centrums 7 Sóis 7 Luas, Centros Culturais e Artísticos em várias ilhas. Nos centrums 7 Sóis 7 Luas começaram-se a juntar músicos, que criaram bandas musicais residentes, as bandas que animam as noites do Centrum. Ensaiam, tentam incentivar os jovens a aprender as musicas e estilos musicais de Cabo Verde. Tentam ajudar os jovens a fixar-se nas suas ilhas-natal, evitando a emigração. Não é fácil. Mas o projecto tem já tido resultados muito bons. Quase não dá para acreditar nos números mas Cabo Verde tem 500 mil habitantes a residir no país e, estima-se, mais de 1,5 milhões espalhados pelo mundo. Há mais cabo-verdianos fora do que dentro do país.

  • Na ILHA BRAVA, uma das que mais sofre com a emigração em direcção aos EUA, a tentativa de travar a fuga dos 5 jovens músicos e da sua cantora, Rosa, é uma luta diária. São os últimos músicos da ilha e já são conhecidos como “Pandas” pois se “fugirem” a música entra em extinção na ilha da Brava.

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

A luta é difícil de travar, já que a Brava é das ilhas que mais perde população e onde o emprego é mais escasso. A esperança de uma vida melhor fora da ilha para estes jovens é completamente legítima, mas a Brava precisa deles, e Cabo Verde também.

Se o turismo cultural aumentar na Brava, estes jovens terão mais rendimentos e não precisarão de emigrar. É para isto que o projecto 7 Sóis 7 Luas trabalha todos os dias. Hoje, quando os visitantes se sentam no Centrum 7 Sóis 7 Luas e ouvem as músicas tocadas pelos Brava 7 SÓIS BAND contribuem para que estes jovens ali permaneçam, para que a Brava continue viva e para que a cultura cabo-verdiana não se perca.

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  • Na ILHA DO MAIO, um paraíso de praias iguais ou melhores do que as do Sal e da Boa Vista, a falta de infraestruturas de transporte levou a que permanecesse esquecida por todos. Mas com a criação de um novo porto ou de um aeroporto, os riscos de se replicarem os erros das anteriores é real. Hoje, a ilha ainda se mantém um pequeno paraíso na Terra, apenas com alojamentos locais ou familiares (alguns já na mão de estrangeiros) mas todos os turistas que ali chegam dinamizam a economia local. Não há resorts, o que obriga as pessoas a comerem nos restaurantes da ilha. O Centrum 7 Sóis 7 Luas da ilha do Maio apostou na gastronomia da ilha e emancipou Su, uma mulher cabo-verdiana que arregaça as mangas todos os dias para servir refeições no restaurante do Centrum. Su faz inclusive workshops de comida crioula e isso permite-lhe um rendimento digno.

A ilha do Maio também tem uma banda residente, a Maio 7 SÓIS BAND, que conta com seis jovens rapazes que alegremente cantam e fazem dançar todos aqueles que têm a sorte de os ouvir. A música ainda não é suficiente para viverem mas já lhes dá algum complemento no rendimento. Ainda não chega, mas os músicos têm esperança numa vida melhor e na chegada de cada vez mais turistas que os procurem e estejam interessados na sua música.

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  • Na ILHA DO FOGO, o Centrum 7 Sóis 7 Luas abriu na praça principal da povoação de São Filipe. Todos os dias recebe vários locais e até estrangeiros num edifício maravilhoso com bar, restaurante e sala de exposições. A banda Fogo 7 SÓIS BAND tem um problema acrescido. A proximidade da ilha de Santiago e da capital do país, cidade da Praia, “leva-lhe” frequentemente as cantoras da banda. As vozes das jovens promissoras são tão boas que quando vão actuar à capital recebem ofertas de emprego nos hotéis e restaurantes da cidade, deixando o Fogo para trás. Carlos, o responsável pela banda e professor de música já brinca com a situação. “A banda é uma espécie de programa de casting, já que serve de rampa de lançamento das cantoras em Cabo Verde!”, diz Carlos em tom de brincadeira. A verdade é que muitas delas acabam por nem ficar na cidade da Praia e depois são “descobertas” por investidores internacionais e convidadas a emigrar. Fixar a população em Cabo Verde, especialmente nas ilhas mais periféricas é um dos maiores desafios actuais do país.

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  • Na ILHA DE SANTO ANTÃO, o Centrum 7 Sóis 7 Luas é um lugar maravilhoso, construído de raiz na povoação da Ribeira Grande. Está cheio de jovens à noite e tem uma das bandas de mais sucesso do projecto, inclusive com um violinista. Há semelhança de todos os centrums do projecto 7 Sóis 7 Luas, aqui há várias exposições de pintura e fotografia. Artistas de todo o mundo expõem ali, trazendo a Santo Antão a arte que vem de Cabo Verde e de outros países, tais como Marrocos, Tunísia ou Portugal. Este espaço afirma-se todos os dias como uma aposta na cultura local e nacional.

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  • Na ILHA DE SANTIAGO, no Tarrafal, também há um Centrum 7 Sóis 7 Luas. Infelizmente não o conheci mas tenho a certeza que fará um magnífico trabalho, tal como os restantes.

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A promoção do turismo em Cabo Verde é importante, mas é urgente que se promova o Turismo Sustentável, especialmente socialmente sustentável. Para isso, deixamos aqui os contactos dos diferentes centros. A música como fonte de rendimento para os músicos ainda não lhes permite viver, pelo que, na maioria das vezes, se os quiser ouvir, terá que os contactar e planear uma actuação. Cada banda cobra 100€ por uma noite musical com garantia de boa disposição e alegria. Estes preços incluem a remuneração dos seis músicos e o espaço. Se para uma pessoa é muito dinheiro, para um grupo de viajantes, uma família ou um grupo de amigos é seguramente um bom investimento. É um investimento na cultura cabo-verdiana, um investimento na herança cultural desta gente e na preservação do modo de vida das populações.

7 Sóis 7 Luas - Um projecto e um festival a promover o turismo socialmente sustentável em Cabo Verde

Se quiser contactar as bandas 7 Sóis 7 Luas dos diferentes centros, aqui ficam os contactos telefónicos. Pode-se usar o mesmo número com a aplicação do Viber (uma espécie de whatsapp popular em Cabo Verde):

  • FOGO – Músico Carlos Lúcio (representante do Festival Sete Sóis na ilha do Fogo e pianista do grupo Orquestra Popular 7Sóis do Fogo) 00238.977.9565
  • BRAVA – Músico Zé Duarte (representante do Festival SSSL na ilha da Brava e também músico do grupo Brava7LuasBand) 00238.599.6115
  • MAIO – Suzy (representante do Festival SSSL na ilha do Maio): 00238.995.0601
  • SANTO ANTÃO – Hamilton (representante do Festival SSSL na ilha de Santo Antão. O Hamilton pode fazer o contacto com os músicos da SantoAntão7LuasBand) 00238.911.9978  harolcv@hotmail.com
  • TARRAFAL – Para jantares musicais contactar Edmara (representante do Festival SSSL no Tarrafal. A Edmara faz o contacto com os músicos e com as cozinheiras do Festival SSSL): 00238.920.5755

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Em todos os centrums 7 Sóis 7 Luas pode contactar os responsáveis e marcar uma refeição de comida crioula típica. Eles estarão com certeza muito animados por poder cozinhar para si. Para ver estes contactos, veja os artigos específicos que temos aqui no blogue para cada uma das ilhas.

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No caso de não haver resposta, por parte dos responsáveis locais podem contactar o Marco Abbondanza (diretor do Festival 7 Sóis 7 Luas, através do tlm: 0039.348.3036624 (whatsap + viber) ou e-mail: marco@7sois.org

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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