Visitar ALICE SPRINGS, o centro da Austrália e da cultura aborígene

Visitar ALICE SPRINGS, o centro da Austrália e da cultura aborígene

Visitar Alice Springs foi para nós a primeira introdução ao deserto australiano, à sua imensidão, ao seu calor, e a um fascínio que um território inóspito e quase inexplorado sempre suscita em nós. A nossa incursão pelo imenso Território do Norte ia ser breve, sendo que o nosso principal objectivo era visitar Uluru (Ayers Rock), mas seria por terra e longa o suficiente para ficarmos com uma boa ideia do que é o centro da Austrália e conhecermos alguns dos seus lugares mais emblemáticos.

Veja aqui os relatos da nossa viagem da Volta ao Mundo

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A região de Alice Springs

A região de Alice Springs está localizada no sul do Território do Norte, encaixada entre três estados, fazendo fronteira com a Austrália Ocidental, a oeste, com Queensland, a leste, e com a Austrália Meridional, a sul. Esta região também é conhecida como o “Red Centre”, pois está no centro do território australiano e o solo e as rochas têm uma coloração laranja-avermelhada!

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Uma das formas mais populares (pelo menos, entre os aventureiros!) de explorar o Território do Norte é percorrer as estradas (asfaltadas) ou os trilhos 4WD que o atravessam de norte a sul e de este a oeste. São bem conhecidos, por exemplo, os trilhos Overlander’s Way e o The Outback Way, que aproveitaram rotas antigas percorridas pelos aborígenes e, mais tarde, pelos primeirso exploradores e comerciantes, muitos usando camelos para vencer as distâncias no deserto australiano. Mas nós tínhamos apenas como objectivo chegar a Alice Springs, para depois visitar Uluru.

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Chegar a Alice Springs

Chegar a Alice Springs foi quase metade do gozo na nossa incursão pelo centro australiano. Na nossa viagem pela Austrália, já tínhamos cruzado 4 estados – é formada por seis estados – Queensland, Nova Gales do Sul, Vitória e Austrália Meridional – e 1 território, o Território da Capital Australiana (Camberra). Restava-nos entrar no Território do Norte (a Tasmânia visitaríamos mais tarde; a Austrália Ocidental terá de ficar para uma próxima oportunidade!), partindo de Adelaide em autocarro da Greyhound. A viagem demoraria cerca de vinte horas, saindo às oito da noite de Adelaide e chegando a Alice Springs por volta das duas da tarde do dia seguinte.

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A viagem fez-se surpreendentemente bem. Ajuda o facto de as estradas terem bom piso e não terem praticamente curvas, sendo o centro australiano percorrido por asfalto quase sempre em linha recta! Embora o ar condicionado do autocarro não deixe sentir as variações de temperatura no exterior, as diversas paragens que fizemos permitiram-nos ir sentindo a transição da costa australiana, com uma clara influência do oceano no clima, para o centro do país, onde a continentalidade se faz sentir na temperatura e na baixa humidade.

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Quando atravessámos a fronteira entre a Austrália Meridional e o Território do Norte, o condutor do autocarro fez uma breve paragem para os passageiros tirarem uma fotografia junto de um monumento que marca essa linha imaginária.

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As diferenças que se notam ao visitar Alice Springs

Quando chegámos a Alice Springs, notámos duas grandes diferenças, além do clima, desértico, muito mais seco e quente, sendo que o céu está quase sempre limpo (fora a poeira), de tal forma que Alice Springs já não via chuva havia meses e o leito do rio Todd, um rio sazonal que atravessa a cidade, estava completamente seco.

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Nota-se que entrámos num território diferente no que diz respeito às pessoas. A imensidão da terra contrasta em absoluto com as poucas pessoas que a habitam. O Território do Norte tem cerca de 200.000 habitantes e a sua densidade populacional é de apenas 0,15 habitantes/km². E isso nota-se. Visitar Alice Springs é como que percorrer as ruas de uma vila do Wild West norte-americano no século XIX. Claro está, as casas são feitas de materiais modernos, e alguns supermercados e restaurantes, e os veículos todo-o-terreno circulam nas ruas, mas o ambiente é o de um território ainda a ser explorado, um local inóspito, onde é preciso lutar para sobreviver, e as pessoas transmitem ainda uma aura de pioneiros em território desconhecido.


A questão aborígene

A outra grande diferença que notámos foi a presença de população aborígene. Cerca de 25% da população da cidade é de origem aborígene (no Território do Norte, esta percentagem sobe para 40 a 45%), mas esta fatia da população não convive muito saudavelmente com a população “branca”. Nota-se uma separação física e social. Física, porque vê-se muitos poucos casos de pessoas de ambos os lados da “barricada” a conviver com alguém do “outro lado”. Além disso, em termos sociais, os aborígenes têm pouco acesso a empregos (ou também não têm grande interesse nisso), e por isso, fora a venda de artesanato a turistas, os aborígenes não têm grandes actividades, e passam o seu tempo deambulando pela cidade e sentados à sombra nos espaços verdes. Quando visitámos a biblioteca municipal, assistimos a uma cena um tanto surreal, cerca de 15 homens aborígenes a assistir atentos e muito sossegados e a um filme de Bud Spencer e Terence Hill. A sua relação com os turistas também não é muito boa, pois culturalmente a fotografia não é bem aceite.

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Acreditámos que um dos grandes desafios da Austrália no futuro, o maior em termos civilizacionais, é encontrar um caminho de integração ou valorização da população aborígene. Quando esse caminho não é trilhado, acontece aquilo que se vê e sente em Alice Springs, ou seja, uma efectiva separação da população, tensões entre ambas as partes, e uma crescente associação da população aborígene à criminalidade e um aumento de confrontos físicos com os “brancos”.

Quando chegámos ao nosso hostel, fomos logo informados que Alice Springs não era segura à noite, devido a problemas com grupos de adolescentes e jovens que circulavam à noite e tinham como alvo pessoas brancas. Isto porque, havia poucas semanas, um jovem aborígene tinha sido morto por um polícia (branco) devido a uma alegada ameaça com arma branca.

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Acreditamos que a população aborígene tem um papel importante a desempenhar na sociedade australiana, como representantes e guardiões de uma cultura ancestral. E pensamos que o turismo pode ter um papel fulcral na resolução deste problema. Aqueles aborígenes que desejam adoptar um estilo de vida mais “ocidental” devem ser apoiados na procura de emprego, e devem ser orientados para a área do turismo mais organizado, onde são uma mais-valia na ligação entre o ancestral e o moderno. A devolução de terras aos seus donos ancestrais e a gestão conjunta, por exemplo, do Parque Nacional de Uluru, pelos aborígenes e pelo governo, é um bom começo mas é preciso ir mais além, se quisermos salvar aquela que é a civilização mais antiga (e viva) do planeta, antes que se extinga para sempre.


Visitar Alice Springs

Dedique dois dias a visitar Alice Springs, o primeiro para se ambientar ao calor e organizar a sua excursão (organizada ou por conta própria) ao Parque Nacional de Uluru, e o segundo a passear pela cidade e a conhecer alguns dos seus pontos de interesse.

Pode conhecer algumas das atracções de Alice Springs, de uma forma mais cómoda, em excursão organizada de meio-dia.

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LUGARES A NÃO PERDER QUANDO VISITAR ALICE SPRINGS


1. Caminhar até Telegraph Station

Se quiser conhecer a história de Alice Springs, o melhor local a visitar é a Telegraph Station, a alguns quilómetros do centro da cidade. É uma óptima caminhada, ao longo das margens do rio Todd. Foi ali que a cidade de Alice Springs nasceu, como uma estação de telégrafo, na linha que ligava a Austrália à Europa.

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Ali poderá visitar os edifícios que sobreviveram e foram restaurados para retratar a época, e poderá ter um saborzinho do que era ser um pioneiro em terra incógnita.

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2. Subir à Anzac Hill

É o melhor local para se ter uma noção global da cidade, da sua localização e orientação, e dos seus arredores, em particular as montanhas do Macdonnell Ranges. No cimo, existe um memorial com referências históricas às guerras em que a Austrália participou.

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3. Visitar Alice Springs Reptile Centre e/ou Alice Springs Desert Park

Se tem interesse pelos animais que habitam o deserto australiano, Alice Springs tem dois locais obrigatórios. O Reptile Centre tem uma colecção invejável de cobras, lagartos e outros répteis, enquanto o Desert Park é mais abrangente e tem espécimes de diferentes ambientes naturais, de rio, floresta ou deserto.

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4. Fazer compras de artesanato aborígene

Alice Springs é o centro da cultura aborígene e o melhor local para adquirir artesanato a preços justos. Quer compre nas ruas, a pessoas que aí estendem a sua loja, ou em galerias de arte no Todd Mall Market, é garantido que encontrará algo que quererá levar para casa e o fará lembrar do centro australiano e da cultura aborígene.

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5. Explorar as montanhas à volta de Alice Springs

Para poder explorar as montanhas à volta de Alice Springs, precisará de mais um dia na cidade. Nós não tivemos tempo, mas se tiver, é uma opção a considerar. As West Macdonnell Ranges é uma cadeia montanhosa a oeste de Alice Springs que exibe canhões, riachos e gargantas.

Para explorar a cadeia montanhosa de West Macdonnell, a melhor forma é em excursão organizada de um dia.

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Como deslocar-se ao visitar Alice Springs

Alice Springs é uma cidade bastante espalhada, sendo as distâncias grandes. Pode percorrê-la a pé, mas é preciso ter em conta o calor. Dê preferência ao ínicio da manhã e ao final da tarde. Entre as 12h e as 16h é preferível não sair. Outra opção é alugar uma bicicleta, no seu alojamento, ou numa companhia na cidade. Para percorrer alguns quilómetros fora da cidade, pode contratar os serviços de um cameleiro e andar de camelo no deserto australiano.

Outra forma de conhecer o terreno é a partir do ar. Admire a extensão e beleza do Red Centre a partir de cima, num passeio de balão de ar quente manhã cedo que pode marcar aqui.

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NOTA: Mantenha-se sempre muito hidratado, carregando consigo pelo menos dois litros de água por pessoa. Lembre-se: se sente sede, é porque o seu corpo já desidratou. Proteja-se sempre com protector solar e um chapéu de aba larga. A insolação pode acontecer de repente e ter efeitos graves sobre o seu organismo.

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Como chegar a Alice Springs

Nós chegámos a Alice Springs de autocarro vindos de Adelaide, pois tínhamos o passe Whimit da Greyhound, que nos permitia viajar sem limites pelas estradas da Austrália durante 60 dias. Pode, claro, também fazê-lo em veículo, próprio ou alugado. Mas prepare-se para uitas horas de condução; são 1531 km desde Adelaide até Alice Springs!

Procure aqui o seu carro alugado para viajar pelo Território do Norte e chegar a Alice Springs.

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Uma opção mais cómoda (e por vezes mais barata!) é voar. Deve ter em conta, no entanto, que o aeroporto mais próximo de Alice Springs fica junto ao Parque Nacional de Uluru, a mais de 200km de Alice Springs. Se quer visitar a cidade, terá de alugar carro no aeroporto, ou arranjar uma excursão organizada que o apanhe ali.

Procure aqui o melhor voo para chegar a Alice Springs.

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Onde ficar alojado em Alice Springs

Nós ficámos alojados no Alice’s Secret Travellers Inn, um excelente hostel, com um ambiente espectacular e uma piscina maravilhosa. A cozinha era muito boa, permitindo-nos cozinhar algumas refeições. Além disso, na tradição aussie, tínhamos um grelhador no exterior onde pudemos fazer uns saborosos churrascos australianos.

No mesmo segmento de preço, pode optar também pelo Alice Lodge Backpackers, o Alice Springs YHA, ou o Jump Inn Alice Budget Accommodation.

Se preferir mais comodidade, num alojamento mais clássico, experimente o Vatu Sanctuary, o Mercure Alice Springs Resort, ou o DoubleTree by Hilton Alice Springs.

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Este artigo foi realizado durante a nossa Viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. Dias 182 e 183 – Visitar ALICE SPRINGS, o centro da Austrália e da cultura aborígene (Jan 2020)

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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