Dia 13 – Explorando a Arménia, de Ashtarak ao lago Sevan 🇦🇲 | Crónicas do Rally Mongol

Dia 13 - Explorando a Arménia, de Ashtarak ao lago Sevan 🇦🇲 | Crónicas do Rally Mongol

Os nossos anfitriões em Ashtarak presentearam-nos com um farto pequeno-almoço, com algumas iguarias da cozinha arménia, tais como uma espécie de rabanada, feijão-verde e tomate. Estas especialidades não serão para todos os estômagos, mas a generosidade e simpatia para connosco foram unanimemente reconhecidas pelos carapaus.

Depois de sairmos, a primeira tarefa era encher o depósito da nossa burra de carga. A maior parte das estações de combustíveis não aceitavam pagamento por cartão, por isso fomos adiando ao longo da manhã. As distâncias percorridas nesse dia não seriam grandes, por isso não estávamos muito preocupados.

Perto de Ashtakar visitámos o complexo de Echmiadzin, o centro religioso da Arménia. É ali que se localiza o poder da Igreja do país, com instituições de estudo e igrejas antigas e modernas. A igreja mais antiga encontrava-se em obras de restauro, e o museu ainda não estava aberto, por isso não deu para ter uma ideia completa do complexo. No entanto, foi interessante visitar mais um lugar simbólico da primeira nação a converter-se ao cristianismo.

Dali, seguimos para Yerevan, a capital da Arménia. É uma cidade grande, mas sem grandes atractivos e pouco bonita. Também não tínhamos muito tempo disponível, por isso talvez não tenhamos dado a Yerevan a atenção que a cidade merecia. Acabámos por ter de decidir e resolvemos visitar o Museu do Genocídio Arménio, com uma excelente exposição baseada em fotos, textos e filmes que retratam a limpeza étnica, feita pelos turcos, sobre a população arménia no final da primeira guerra mundial, da qual resultou a morte de centenas de milhares de pessoas. Um acontecimento que passa frequentemente despercebido e que merece maior reconhecimento.

Estava na hora de partir da capital e dirigirmo-nos para sul, passando num dos mosteiros mais icónicos da Arménia, Khor Virap, com uma localização espectacular, com o monte Ararat, já em território turco, como pano de fundo. Este dia foi o mais quente que já tivemos na viagem, e a neblina era bastante, pelo que a visão da montanha com mais de 5000m de altitude não foi a mais clara possível, mas a mística do local fez-se notar, ali onde já existia um templo a uma deusa pagã antes do cristianismo ganhar terreno. Dentro do mosteiro, pode visitar-se a igreja principal, e numa ao lado encontra-se o poço onde terá sido mantido preso durante 12 anos Gregório, o Iluminador, o primeiro patriarca da Igreja Apostólica Arménia.

Seguindo mais para sul, passámos pelo mosteiro de Noravank, e depois inflectimos para norte, em direcção ao lago Sevan, um lago de altitude perto da fronteira com o Azerbaijão.

Conforme íamos subindo o vale de Yeghegis, e a tarde ia avançando, o calor ia dando lugar a uma leve brisa e a temperaturas mais agradáveis. Pelo caminho, todos ficámos encantados pela bela paisagem de montanha, que nos lembrou o Quirguistão, e junto ao passo de Selim (2410m), passámos por um antigo caravancerai, uma estalagem dos tempos áureos da Rota da Seda.

Junto ao lago Sevan, as populações dedicam-se à pastorícia, à pesca, e à agricultura. As vacas percorrem as estradas e é preciso ter muito cuidado com a velocidade. Procurávamos um sítio para montar as nossas tendas, preferencialmente junto às águas do lago. Entrámos num pequeno café, e tentámos comunicar por gestos e desenhos, já que por ali quase ninguém fala inglês e nós não falamos russo. Um simpático senhor, visivelmente influenciado pela vodka, não só nos indicou que havia uma opção de campismo, mas também nos levou ao local. Lá, num pinheiral junto à margem do lago, encontrámos vários grupos de arménios que aparentemente estavam ali alojados em casas. Comiam, bebiam, e ouviam música. Pedimos se podíamos partilhar o espaço e, com a ajuda de uma senhora que falava inglês, conseguimos permissão para montar as tendas. Temíamos que a noite não ia ser muito sossegada, mas com a luz do dia a desaparecer, não tínhamos outra opção. Montámos as tendas, fizemos o nosso jantar (apesar de termos sido convidados a comer uns peixes fritos), e fomos dar uma volta junto ao lago, a poucos metros de distância.

Quando regressámos, demo-nos conta que afinal os nossos vizinhos não estavam ali para passar a noite, mas apenas para passar um bom bocado. Lentamente, os carros iam saindo e o barulho ia diminuindo, até que ficámos completamente sozinhos. O dia tinha sido menos pesado em termos de quilómetros, mas tinha sido intenso, e todos os dias acabamos tarde e começamos cedo. Estava na hora de recolhermos às nossas tendas e ter o merecido descanso.

No dia seguinte, íamos entrar numa nova fase da viagem, passando a «fronteira» para a região de Nagorno Karabach, um território pertencente ao Azerbaijão desde o fim da primeira guerra mundial, cuja população lutou pela independência nos anos 90, sem sucesso e sem reconhecimento internacional, sendo actualmente administrado pela Arménia e disputado pelo Azerbaijão.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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