Aprendendo História numa visita ao Campo de Concentração de SACHSENHAUSEN | Alemanha

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Comecemos pelo fim. Em Outubro de 1947, um homem chamado Anton Kaindl testemunha em Berlim perante um tribunal militar soviético. De forma aparentemente fria e racional, confessa o extermínio de 42000 pessoas, sob o seu comando, no campo de concentração de Sachsenhausen, do qual tinha sido o último comandante, até à libertação do campo pelas tropas soviéticas e polacas. Até meados de 1943, os prisioneiros eram mortos por fuzilamento ou enforcamento. Em particular, os prisioneiros de guerra soviéticos, vindos da frente de leste, eram levados a pensar que lhes ia ser medida a altura, e era-lhes dado um tiro na nuca. Mas Kaindl supervisionou a melhoria na eficácia das mortes em massa, introduzindo as câmaras de gás. A partir de Fevereiro de 1945, com o avanço soviético, foram dadas ordens para destruir o campo e todo o tipo de provas, leia-se, prisioneiros. Até ao final de Março, mais 5000 pessoas eram mortas, e a 21 de Abril era finalmente dada a ordem de evacuação do campo. No entanto, não era ainda o fim do sofrimento. Kaindl tinha ordens de fazer marchar os prisioneiros até à costa, com o objectivo de os meter em barcos e afundá-los no Mar Báltico. Este plano não se concretizaria, mas muitos milhares pereceram nas marchas de morte que se iniciaram em diferentes campos de concentração. Kaindl e mais 12 réus foram condenados a prisão perpétua, e acabaria por morrer alguns meses depois num dos mais famosos campos do Gulag soviético, Vorkuta. Curiosamente, os que o julgaram e condenaram, não só cometiam crimes semelhantes, como usavam o seu próprio campo.

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Aprendendo História numa visita ao Campo de Concentração de Sachsenhausen | Alemanha

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Sachsenhausen teria tragicamente uma segunda vida como local de terror. Um conjunto de “campos especiais”, geridos pelos serviços secretos soviéticos, foi implementado logo a seguir ao final da guerra. Sachsenhausen receberia os primeiros 150 prisioneiros a 10 de Agosto de 1945, menos de 4 meses após a sua “libertação” e, até 1950, cerca de 60000 pessoas por lá passariam, desde oponentes políticos ao regime de Estaline, passando por oficiais alemães e colaboracionistas do regime nazi, até mesmo prisioneiros de guerra soviéticos, que eram encarados como traidores e seriam mais tarde transportados para campos na Sibéria. Cerca de 12000 pessoas morreriam vítimas de doença, de má-nutrição, e das condições atrozes do campo, e seriam enterradas em valas comuns junto ao campo. Com o fecho do campo em 1950, sucedeu-se a sua parcial destruição, mas em 1961 era inaugurado o Memorial e Museu de Sachsenhausen. A parte soviética da história teria de esperar pela queda do Muro de Berlim para ser contada, e só em 2001 seria inaugurado o museu sobre o “Campo Especial nº7/1”.

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É este local que hoje pode ser visitado, a pouco mais de uma hora de Berlim, constituindo uma verdadeira lição de história. O campo tem uma planta triangular e os locais de interesse estão espalhados numa área considerável. Um conjunto de exposições está distribuído por alguns edifícios originais e outros reconstruídos, relatando a vida quotidiana dos prisioneiros, a prisão e castigos infligidos, as experiências médicas realizadas, e os assassínios em massa, em particular de prisioneiros de guerra soviéticos.

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Pode ainda visitar-se o que eram alguns dos barracos que alojavam os prisioneiros, a cozinha, as enfermarias, a prisão, a rampa de fuzilamento, e o local onde se encontram os restos destruídos dos fornos de cremação. Para quem quer conhecer melhor o passado, não só da Alemanha mas também da humanidade, e perceber melhor o presente, é uma visita obrigatória.

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Mas regressemos ao início. Em Janeiro de 1933, os nazis subiam ao poder e em poucas semanas o parlamento era dissolvido, os partidos políticos ilegalizados e os oponentes políticos ao regime perseguidos. Logo em Março desse ano era aberto o primeiro campo de concentração, e em 1936, Sachsenhausen era inaugurado com orgulho por Himmler, que o apresentava como o protótipo de um campo “moderno, sofisticado, ideal e fácil de expandir”. Durante a fase inicial, o campo era destinado aos oponentes políticos dos nazis, mas a partir de 1938 foi usado progressivamente como ferramenta das políticas raciais e sociais nazis, tendo como vítimas preferenciais judeus, ciganos, homossexuais e outros elementos considerados “anti-sociais”.

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Com o início da guerra, e principalmente com a invasão do leste, Sachsenhausen começou a receber aqueles que eram considerados sub-humanos, e a escalada do terror acentuou-se. O extermínio em massa passou a ser uma prática comum e só terminaria com a capitulação da Alemanha e o fim da guerra na Europa. Como se chegou até aí? O que levou um regime político a cometer tais actos? Para compreender melhor a resposta a estas questões, tem de se olhar com mais atenção para o percurso da história, e é isso que faremos numa próxima crónica, onde visitaremos a casa onde foi decidida a “solução final”.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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2 Comentários

  1. k Interessante….e assustador!! Eu visitei o campo de Auschwitz e Birkenau e achei aterrador…. mas foi uma visita/experiencia super interessante… .
    Podes ver as minhas fotos no meu blog, if u wish.
    Saudaçoes do Porto.

  2. Tania diz: Responder

    cheguei ontem de Berlim, infelizmente não tive tempo de visitar o campo de concentração mas adorava. a Topografia do Terror já me deixou mal disposta, imagino ir mesmo aqui

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