Trilho PR9 – Levada do Caldeirão Verde (e Caldeirão do Inferno), na Madeira | Portugal

Trilho PR9 - Levada do Caldeirão Verde (e Caldeirão do Inferno), na Madeira | Portugal

Quando planificámos a nossa viagem à Madeira, os percursos pedestres eram uma das nossas prioridades. Queríamos conhecer a ilha, e não há melhor forma de explorá-la senão a pé. No entanto, o nosso tempo limitado fazia com que tivéssemos que fazer escolhas. Elaborámos um roteiro muito ambicioso, com alguns percursos, procurando diversificar as zonas da ilha e o tipo de paisagem que queríamos conhecer. No final, 1 ou 2 trilhos ficaram por fazer, pois optámos por fazer aqueles que, no nosso entender, eram obrigatórios. Um desses era o trilho PR 9 – Levada do Caldeirão Verde (e Caldeirão do Inferno).

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Na página oficial do turismo da Madeira, a Levada do Caldeirão Verde está descrita apenas até ao Caldeirão Verde, mas nós sabíamos que a parte que vai do Caldeirão Verde ao Caldeirão do Inferno valia a pena, por isso fizemos o nosso plano de modo a incluir essa extensão do trilho. O trilho acabou por ficar reservado para o nosso último dia na ilha da Madeira, por isso não podíamos começar tarde, uma vez que às 18.00h tínhamos de estar no aeroporto do Funchal.

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O trilho da Levada do Caldeirão Verde tem 6,5 km, e tem início no Parque Florestal das Queimadas. A volta é feita pelo mesmo caminho, logo o percurso total até ao Caldeirão Verde tem 13 km de extensão e oferece vertiginosas e espectaculares vistas do interior da ilha. Este trilho tem uma duração estimada de 3 a 5 horas, mas a nossa experiência diz-nos que a sinalização dos percursos na Madeira tem tempos estimados que são, normalmente, abaixo da média. Nós fizemo-lo em 4 horas (para fazer em 3 horas, parece-nos que só a correr), acrescentando a parte Caldeirão verde – Caldeirão do Inferno – Caldeirão Verde, que nos demorou 2 horas. No total, 6 horas de caminhada.

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Sabíamos que ia ser uma jornada exigente, por isso levámos comida e água suficientes. O percurso é, quase na sua totalidade, protegido do sol pela luxuriante vegetação da Floresta Laurissilva característica da Madeira, por isso o chapéu e protector solar não são indispensáveis (embora pessoas de pele mais sensível devam usar sempre). No entanto, o trilho tem vários túneis, logo uma lanterna ou um frontal por pessoa é essencial. O piso, especialmente dentro dos túneis, está escorregadio e tem água, por isso é fundamental calçado resistente à água e antiderrapante.

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Informação sobre a Levada do Caldeirão Verde

Logo no início do percurso, encontra-se a esplanada da Levada do Caldeirão Verde. Esta levada é uma impressionante obra do século XVIII, e tem início no leito principal da Ribeira do Caldeirão Verde. Ao longo do percurso, a levada atravessa escarpas vertiginosas, mas nos sítios mais verticais existem sempre corrimões de aço que permitem maior segurança. Deve-se, no entanto, caminhar sempre com muita atenção a onde se põem os pés.

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É um trilho muito popular na Madeira, logo cruzámo-nos com dezenas e dezenas de pessoas, muitas vezes em sentido contrário. Em certos sítios é preciso umas das pessoas encostar-se à parede da encosta (ou parar em pequenos patamares), de modo a deixar passar a outra. Se surgirem pessoas atrás de nós com um ritmo mais acelerado, também se deve deixar passar, onde conveniente.

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A levada transporta a água que escorre das mais altas montanhas da ilha da Madeira, para o regadio dos terrenos agrícolas, e o seu desnível é sempre pouco acentuado. No entanto, transversalmente à levada, os precipícios são muitos, sendo que, a maior parte das vezes, a densa vegetação não deixa o caminhante ter noção real das alturas envolvidas. Quando a vegetação é mais dispersa, têm-se vistas espectaculares das montanhas do interior da ilha.

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Até chegar ao Caldeirão Verde, passámos por 4 túneis, todos pouco extensos. No entanto, é preciso ter muito cuidado com a cabeça, olhando constantemente para o tecto dos túneis, pois este é muito irregular, existindo locais em que é muito baixo, com pedras pontiagudas que podem ferir. Acabámos por fazer o erro de levar só um frontal para os dois, e ao termos de iluminar o caminho dos dois, esquecemo-nos do tecto e o Rui acabou por trazer dois galos da Madeira para o continente.

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Quando se chega ao Caldeirão Verde, é necessário subir alguns metros pelo leito do ribeiro para lá chegar. O lago do Caldeirão Verde é formado pela água que cai verticalmente do leito do Ribeiro do Caldeirão Verde, a uma altura de cerca de 100 m. Aí as pessoas juntavam-se para comer alguma coisa, e um jovem estrangeiro ainda se aventurou a tomar banho numa pequena lagoa mais abaixo.

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Daqui fomos ao Caldeirão do Inferno!

Informações sobre o percurso entre o Caldeirão Verde e o Caldeirão do Inferno

Depois de repousarmos um pouco, e apreciarmos a espectacular cascata e a paisagem que nos rodeava, era tempo de prosseguir até ao Caldeirão do Inferno. Poucas das pessoas que lá estavam seguiu para a frente, sendo que a maior parte das pessoas regressam do Caldeirão Verde para o Parque Florestal das Queimadas.

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Dali para a frente, cuidados redobrados. Seguimos o trilho pela levada durante cerca de meia hora, sendo que depois aparece uma parte de degraus. São mais de 300 degraus que constituem um segmento mais exigente do ponto de vista físico. Após a subida, as vistas são mais espectaculares, surgem vários túneis, e o trilho embrenha-se no maciço rochoso.

Trilho PR9 - Levada do Caldeirão Verde (e Caldeirão do Inferno), na Madeira | Portugal

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Ali a água escavou um canhão muito fechado e profundo, o qual é cruzado com a ajuda de uma ponte metálica, aninhada entre 2 túneis. É a parte mais fantástica do trilho e sentimo-nos quase um Indiana Jones em busca de um tesouro escondido.

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Um pouco mais à frente, encontra-se a pequena lagoa do Caldeirão do Inferno, com muito pouca água. A água cai de uma altura de cerca de 40 m, assumindo a forma de chuveiro de pequenas gotas de água, fazendo um efeito enigmático. Parámos durante cerca de 15 minutos, para repousarmos, apreciarmos o ambiente e refrescarmo-nos. Durante a maior parte desse tempo, estivemos sozinhos no Caldeirão do Inferno.

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Mas era hora de regressar. Tínhamos muito que percorrer, e não podíamos facilitar. Do Parque Florestal das Queimadas, início do trilho, e onde tínhamos deixado o nosso carro, teríamos de nos dirigir ao aeroporto do Funchal, mas não sem antes parar num restaurante, no Caniçal, para retemperar forças com umas lapas grelhadas, acompanhadas de bolo do caco com manteiga de alho.

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Como não há grandes declives no percurso, o tempo de regresso é quase o mesmo do tempo de ida (na parte dos degraus, custa muito menos, mas também é preciso descer com cuidado). Regressámos, então, percorrendo todo o mesmo caminho para trás. Quando passámos pelo Caldeirão Verde, já não havia quase ninguém lá. Tentámos manter um ritmo constante e rápido, mas sem descurar a segurança. Quando chegámos ao Parque Florestal das Queimadas, vínhamos inteiramente satisfeitos. O trilho é espectacular e justificou plenamente a nossa aposta nele. Para aqueles mais aventureiros, recomendamos a extensão até ao Caldeirão do Inferno, pois é aí que o trilho se torna mais «selvagem».

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Tínhamos chegado ao fim do nosso périplo pelo arquipélago da Madeira. Tinha sido uma viagem fantástica, ultrapassando as nossas expectativas. Contamos, um dia, voltar, pois ficou muito por conhecer.

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Caracterização do percurso


🚶 Tipo de percurso: Linear

👉 Início: Parque Florestal das Queimadas (Santana)

📏 Distância: 13,4 km (até ao Caldeirão Verde); 18 km (até ao Caldeirão do Inferno)

🕑 Duração:  6 horas (com paragem de meia hora para o almoço)

💪 Dificuldade: Média baixa

⚠ Sinalização: Sinalizado

Leve consigo: Frontal ou lanterna


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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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