ROTA DO ROMÂNICO no Vale do TÂMEGA | Portugal

Rota do Românico no Vale do Tâmega

A Rota do Românico no Vale do Tâmega situa-se no noroeste de Portugal e engloba 25 monumentos, distribuídos pelos concelhos de Celorico de Basto, Amarante, Marco de Canaveses e Penafiel. A Rota do Românico distribui-se pelas áreas geográficas do Vale do Sousa, do Douro Sul e do Baixo Tâmega. Foi precisamente à Rota do Românico no Vale do Tâmega que decidimos dedicar um fim-de-semana. Seguem-se dicas gerais e uma breve referência aos locais que visitámos, bem como alguns outros que achamos que devem ser visitados de forma a conhecer melhor esta região de Portugal. Para mais informações sobre cada monumento pode consultar o Guia da Rota do Românico, em formato digital pdf e que pode ser descarregado aqui.


DICAS GERAIS


1. Escolha um fim de semana bonito para desfrutar da Rota do Românico, um belo exemplo do património cultural português. Mas não se deixe travar pelo tempo.

2. Trace o seu itinerário para a Rota do Românico.

3. Junte a magnífica experiência vinícola e gastronómica a este itinerário pela Rota do Românico no Vale do Tâmega. Não se irá arrepender.

4. Levante o mapa da Rota do Românico num Posto de Turismo da região. Caso não consiga, não se preocupe. Todos os hotéis e alguns restaurantes da região têm panfletos e mapas da rota. Se quiser saber mais sobre a Rota do Românico, adquira o guia, disponível também nos postos de turismo e em algumas lojas da região.

5. Levante o seu passaporte da Rota do Românico. Parte da beleza e divertimento desta aventura parte desta ideia genial. O passaporte da Rota do Românico permite-lhe colocar um “visto” em cada monumento visitado e ao mesmo tempo responder a uma questão sobre esse monumento. Nas duas primeiras páginas do passaporte há um glossário sobre a arquitectura românica.  Não perca esta experiência. Os passaportes podem ser recolhidos nos postos de turismo e em alguns hotéis da região (nestes é mais difícil de encontrar).

6. Não faça o percurso todo num dia.  Dê tempo para desfrutar dos lugares, dos vinhos e das comidas do Tâmega. Dedique-lhe dois ou três dias.

7. Para fazer o percurso da Rota do Românico no Vale do Tâmega, assim como qualquer uma das outras, precisa de transporte particular. Não há transportes públicos.

8. A maioria dos monumentos da Rota do Românico no Vale do Tâmega estão fechados (este é o principal aspecto negativo da rota). Para visitar o seu interior terá duas opções. A primeira, e que exige preparação prévia, é agendar a sua visita com pelo menos três dias de antecedência e marcar a visita aos monumentos no site. Esta visita tem um custo de 4.50€/monumento. A segunda opção é tentar apanhar as horas de início e final de oração nos igrejas e mosteiros. Esta situação é impossível de aplicar a todos os monumentos do percurso. Nós usamos esta segunda opção. Como fazemos o percurso ao final de semana é mais fácil encontrar as igrejas abertas.

9. Aproveite para visitar as igrejas ao início ou final do dia, quando é mais fácil encontrar-las abertas, possibilitando uma visita por dentro.

10. A Rota do Românico é um belo percurso e pode ser feito no Vale do Sousa (que já efectuamos), no Vale do Tâmega e no Vale do Douro (que também já efectuamos). Escolha um destes percursos e dedique-lhe um fim de semana. Não se irá arrepender.


ROTEIRO PARA TRÊS DIAS


PRIMEIRO DIA NA ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO TÂMEGA


1. Igreja do Salvador de Cabeça Santa

A Igreja de Cabeça Santa revela influências arquitectónicas da Sé do Porto e da igreja de São Martinho de Cedofeita e é mais uma que a tradição liga a sua fundação a D. Mafalda. O seu nome está ligado a uma devoção de D. Mafalda à relíquia de um homem santo (o seu crânio, daí o nome) aí guardada.

No adro da Igreja, subsistem três sepulturas escavadas na rocha e ainda três sarcófagos medievais com as respectivas tampas. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

2. Igreja de São Gens de Boelho

A Igreja de Boelhe, edificada entre os meados e o final do século XIII, é uma igreja curiosa, apesar da sua parente simplicidade. Exibe alguns pormenores dignos de registo, tais como a variedade de motivos dos cachorros na fachada norte (por exemplo, cabeças de touro), e a existência de siglas de canteiro (geométricas e alfabéticas) nos muros, frequentes e repetidas, que sugerem que a Igreja terá sido feita por meia dúzia de canteiros.

Além disso, quando a visitámos (início de Maio), estava a celebrar-se missa na igreja actual, logo ao lado da antiga, no fim da qual saiu uma procissão em honra do centenário da Nossa Sr.ª de Fátima. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

3. Igreja de São Pedro de Abragão

Em 1105 é já referida a existência da Igreja de Abragão, mas, no entanto, a igreja românica, da qual a cabeceira hoje se conserva, é datada do segundo século XIII, sendo a sua edificação atribuída tradicionalmente à iniciativa de D. Mafalda, filha do rei D. Sancho I, e neta de D. Afonso Henriques. A sua fachada principal, bem como a nave, correspondem a uma reedificação da segunda metade do século XVII.

4.Mosteiro de Santa Maria de Vila Boa do Bispo

Tendo sido cabeça de um importante património histórico, a fundação deste mosteiro é associada à linhagem dos Gascos (ou Ribadouro), família cujo poder senhorial se centrou nesta região após a Reconquista, controlando vários mosteiros estrategicamente posicionados ao longo dos afluentes do Douro.

Segundo a tradição, o Mosteiro de Santa Maria foi fundado em 990, pelo irmão de D. Sisnando, bispo do Porto entre 1049 e 1085, no local de uma batalha entre cristãos e muçulmanos que terá vitimado o próprio D. Sisnando.

5. Igreja de Santo André de Vila Boa de Quires

Esta Igreja, ligada na sua origem a um mosteiro, foi construída no século XIII. Destaca-se a sua fachada principal com o portal e um janelão que se lhe sobrepõe, com capitéis exibindo motivos simétricos de sabor vegetalista e as mísulas assumindo a forma de cabeças de bovídeos.

Na fachada sul, encontra-se também um portal ricamente ornamentado, exibindo cabeças de animais de aparência exótica. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

6. Obras do Fidalgo (Almoço) 🍸🍴

Um dos lugares mais maravilhosos que descobrimos na Rota do Românico no Vale do Tâmega foi as Obras do Fidalgo, um palácio inacabado, em Vila Boa de Quires, no Marco de Canaveses.

Apesar de não fazer parte da rota, vale a pena parar ali e explorar o local. Aproveite o cenário maravilhoso e, se estiver bom tempo, faça ali um piquenique. É bom reviver os velhos costumes portugueses.

A fachada principal de uma exuberante residência palaciana do século XVIII, conhecida como “Obras do Fidalgo” ou “Casa inacabada de Vila Boa de Quires”, é um testemunho do poder da nobreza local na freguesia. Apesar do seu estado ruinoso e abandonado, tem uma grande profusão de detalhes decorativos, e é considerada uma das mais extensas e imponentes fachadas barrocas da arquitectura portuguesa. O mistério das razões da não conclusão das obras permanece…

7. Igreja de Santo Isidoro  de Canaveses

Esta igreja, cuja construção remonta à segunda metade do século XIII, resulta de um cruzamento de influências estilísticas, e tem como orago Santo Isidoro, o bispo de Sevilha, cujos restos mortais foram trasladados para a cidade andaluza em 1063.

No interior, destaca-se um conjunto de pinturas a fresco que preenche parte da parede fundeira da capela-mor, com várias representações de santos, sendo datado de 1536. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

8. Igreja de Santa Maria de Sobretâmega

Esta igreja enquadra-se na categoria de românico tardio, tendo sido edificada posteriormente a 1320, com portais, sem colunas e capitéis.

Está localizada sobre a margem direita do rio Tâmega, junto à entrada norte da já desaparecida ponte medieval, e está intimamente ligada à Igreja de São Nicolau de Canaveses, edificada na margem oposta, estando as duas apenas separadas pelo rio, e pela passagem da antiga via romana e posteriormente ponte medieval. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

9. Igreja de São Nicolau de Canaveses

Fazendo par com a Igreja de Santa Maria de Sobretâmega, e datada do mesmo período, a Igreja de São Nicolau de Canaveses Igreja apresenta dimensões modestas, tendo sido intervencionada na época moderna. Ao lado da igreja, podem admirar-se duas edificações, a capela de São Lázaro e o cruzeiro da Boa Passagem, que, embora não se encontrem nos locais primitivos (deslocados devido à construção da barragem do Torrão na década de 1940, evitando assim que fossem submersos) são testemunhos da ligação entre o culto religioso e o acto de viajar e apoio aos viajantes.

10. Igreja de São Martinho de Soalhães

A Igreja de Soalhães teve a sua origem num mosteiro do século XII, e foi sede do poder religioso num território muito importante e cobiçado pela nobreza medieval.

No entanto, desta época, persistem apenas o portal principal, a moldura com pérolas do interior do óculo que o encima e o túmulo na capela-mor. No século XVIII, a igreja sofreu uma profunda transformação, adquirindo um interior profusamente decorado ao estilo barroco, onde reinam a talha dourada e os painéis de azulejo.

Pudemos assistir à importância que a igreja continua a ter junto do povo, especialmente em mês mariano e de primeiras comunhões. Um dos mais belos monumentos e recantos da Rota do Românico no Vale do Tâmega.

11. Igreja do Salvador do Tabuado

Erigida a partir de meados do século XIII, o seu portal e a rosácea protogótica da fachada principal mostram um paralelismo com a estética do Mosteiro de Paço de Sousa (Penafiel). No portal, sobressaem as pérolas, motivo recorrente no românico das bacias do Tâmega e Sousa, que ornam as suas arquivoltas já quebradas. O campanário, erigido sobre um maciço bloco de granito, tem o aspecto de quase de uma torre defensiva.

No interior, destaca-se uma pintura mural, descoberta na década de 1960, que representa uma conversação entre Cristo juiz, São João Baptista e São Tiago. Quando a visitámos, fiéis decoravam o chão em frente da igreja com flores, para a celebração do dia do Bom Pastor.

12. Ponte do Arco

Esta belíssima ponte, que liga as margens do rio Ovelha, faz jus ao seu nome, sendo uma ponte de um só arco de volta perfeita, que sustenta um tabuleiro em cavalete. Os seus alicerces estão colocados em dois maciços rochosos das margens, formando como que uma simbiose com a paisagem bucólica e verdejante que a rodeia.

Curiosa é a existência de um vão de formato rectangular, que permitiria o escoamento de água em cheias ou a condução de água para abastecimento de moinho. Um dos mais belos monumentos e recantos da Rota do Românico no Vale do Tâmega.

13. Igreja de Santa Maria de Jazente

Com origem numa instituição monástica, e integrada no conjunto de igrejas ditas de “românico de resistência” (tardio), a Igreja de Jazente preserva a simplicidade ornamental que caracterizaria o período da sua edificação, exibindo uma a nave única e a capela-mor rectangular. A fachada principal desta Igreja é dominada pelo portal, rematado por um tímpano onde se expõe uma cruz perfurada.


ONDE COMER 🍸🍴


RESTAURANTE VARANDA DAS CAMÉLIAS

Como ficamos a dormir no Celorico Palace Hotel & Spa os dias em que andamos a explorar a Rota do Românico no Vale do Tâmega, resolvemos experimentar o restaurante Varanda das Camélias, o restaurante do hotel. Ficamos tão agradados com o serviço que jantámos lá nas duas noites. Na primeira noite, experimentamos alguns dos sabores mais típicos das Terras de Basto. De entrada, experimentámos paio, presunto e morcela com maça.

De pratos principais resolvemos comer rolinhos de porco recheado com castanhas e puré de maça e espetada de peixe e gambas. Como somos muito lambões, partilhamos os pratos (para poder experimentar tudo) e de sobremesa mousse de chocolate e leite creme queimado com puré de maça. Tudo acompanhado por vinho verde Quinta Santa Cristina, da casta Batoca, vinho típico da região de Basto. A comida era óptima e o serviço de atendimento excepcional.


SEGUNDO DIA NA ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO TÂMEGA


1. Ponte de Fundo de Rua

Esta bela ponte, edificada talvez durante o reinado de Filipe III (r. 1621-1640), é sustentada por quatro arcos de volta perfeita com dimensões desiguais, e tem os pilares protegidos, a montante, por talha-mares aguçados e, a jusante, por contrafortes. Esta importante obra de engenharia permitia uma travessia importante na direcção do interior transmontano e do Alto Douro.

2. Igreja de Santa Maria Gondar

Igreja de pequenas dimensões, foi edificada no século XIII, dentro do apelidado românico tardio. Foi sede de um mosteiro feminino, sendo que a sua fundação é associada à linhagem dos de “Gundar”, família que controlou a região envolvente. Transformada em igreja paroquial em 1455, a sua estrutura românica primitiva sofreu poucas transformações ao longo dos séculos.

O carácter românico tardio da construção é revelado no portal, que não tem colunas, sendo que as arquivoltas apoiam-se sobre os pés-direitos e o único elemento decorado é a arquivolta externa.

3. Igreja de Salvador Lufrei

Localizada num vale onde confluem dois pequenos cursos de água, atribui-se a Lufrei o estatuto de convento destinado a monjas beneditinas, mas passou a igreja paroquial em 1455. De modestas dimensões, enquadra-se no românico tardio. No adro envolvente podem observar-se ainda três túmulos, com as respectivas tampas, de contorno trapezoidal.

4. Amarante (Almoço) 🍸🍴

Amarante é uma das mais belas cidades de Portugal e vale a pena dedicar algum tempo a explorá-la. Pode aproveitar para conhecer a ponte sobre o Tâmega, a Igreja de São Gonçalo, a zona ribeirinha e o Museu Amadeu de Souza Cardoso. Aproveite para almoçar em Amarante com vista sobre o vale do Tâmega.


QUINTA DO OUTEIRO

Um dos lugares com melhores vistas sobre o vale do Tâmega é a Quinta do Outeiro. Aproveite o bom tempo e escolha uma mesa na esplanada. Para complementar a paisagem maravilhosa, desfrute da comida tradicional portuguesa de excelente qualidade. Todas as entradas são deliciosas, desde alheira, orelheira, punheta de bacalhau, moelas, rojões, cogumelos, rissóis, chamuças, bola de carne, etc. Para acompanhar as especialidades da casa, provamos o vinho verde da Quinta do Outeiro, Reserva 2016.

A comida tradicional portuguesa é rainha no restaurante da Quinta do Outeiro. Provamos o cabrito assado em forno de lenha, que estava delicioso, e naco de vitela com maça assada em vinho do Porto, que não ficava nada atrás. Como o dia estava bastante quente continuamos com vinho verde.

De sobremesa, um cheesecake de morango e mousse de chocolate (somos fãs incondicionais), que estavam deliciosos. A Quinta do Outeiro é um dos lugares obrigatórios a visitar na Rota do Românico no Vale do Tâmega.


5. Igreja do Salvador de Real

Antiga igreja matriz de Real (substituída em 1938), encontra-se isolada e sobrelevada relativamente ao caminho. Foi provavelmente erguida no século XIV, no período românico tardio. A fachada principal anuncia já a chegada do gótico, com um portal de arco ligeiramente quebrado, e colunas com capitéis de escultura pouco volumosa e expressiva. Na fachada sul encontra-se um túmulo, cuja tampa ostenta uma espada gravada.

6. Mosteiro de Salvador de Travanca

O Mosteiro de Travanca era um dos principais mosteiros masculinos do Entre-Douro-e-Minho. Actualmente, distingue-se, no contexto do património românico português, pelas invulgares dimensões e pela importância da sua ornamentação.

A Igreja deste Mosteiro, a par das de Santa Maria de Pombeiro (Felgueiras) e do Salvador de Paço de Sousa (Penafiel), pertence ao reduzido grupo de igrejas de três naves construídas em Portugal durante a época românica. Na torre, uma das mais elevadas torres medievais em território português, destaca-se o belo portal com um Agnus Dei (Cordeiro de Deus). Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

7. Mosteiro de São Martinho de Mancelos

O Mosteiro de Mancelos destaca-se pela variedade de estruturas que o constituem. A Igreja é antecedida por uma galilé e ladeada por uma torre, e ao lado ainda se vêem vestígios do antigo claustro. O portal principal de Mancelos tem quatro arquivoltas, que repousam sobre capitéis onde já se notam elementos próximos do gótico.

No seu interior, a pintura assume um importante papel, podendo admirar-se cinco pinturas sobre madeira de castanho, destacando-se a representação do mártir São Sebastião, e da Virgem do Rosário, envolta numa orla de rosas, com o Menino ao colo.

Amadeo de Souza-Cardoso, um dos maiores pintores do Modernismo português, nasceu em Manhufe (freguesia de Mancelos) e encontra sepultado no cemitério junto ao Mosteiro de Mancelos. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

8. Mosteiro do Salvador de Freixo de Baixo

É um complexo monástico de data anterior a 1120, tendo sido profundamente alterado e alvo de uma intervenção de restauro na década de 1940. No entanto, mantém uma monumentalidade invulgar, composto pela igreja, torre sineira, vestígios do primitivo claustro e dos alicerces da galilé.

Da construção românica subsiste a fachada da igreja. O portal principal é composto por três arquivoltas e evidencia capitéis esculpidos com animais e motivos vegetalistas. No interior, pode admirar-se uma pintura a fresco que representa a cena da Adoração dos Reis Magos (ou Epifania do Senhor). Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.

9. Igreja de Santo André de Telões

Sendo originalmente uma instituição monástica, Telões era já uma igreja paroquial no século XIV. Foi alvo de várias transformações ao longo dos séculos (sendo a cabeceira onde se conservam os principais vestígios da época românica), nomeadamente uma campanha de pintura mural no século XVI, sendo possível apreciar uma Última Ceia em baixo-relevo, do século XVIII.

Um dos mais belos monumentos e recantos da Rota do Românico no Vale do Tâmega.

10. Igreja de São João Batista de Gatão

A Igreja de Gatão é um monumento onde se cruzam elementos românicos, como a cornija com arquinhos da capela-mor e o portal principal, com outros já mais próximos do período moderno, mas a principal atracção desta edificação é o seu carácter isolado numa paisagem rural, que outrora foi cortada pela via ferroviária que ligava Livração e Arco de Baúlhe (agora a Ecopista do Tâmega, de Amarante ao Arco de Baúlhe).

Teixeira de Pascoaes, um dos mais importantes escritores de Portugal na viragem do século XIX para o século XX, nasceu em Amarante, e faleceu em Gatão, tendo sido sepultado no cemitério em frente à Igreja de Gatão. Uma bela descoberta na Rota do Românico no Vale do Tâmega.


ONDE COMER 🍸🍴


RESTAURANTE VARANDA DAS CAMÉLIAS

Como tínhamos jantado tão bem na noite anterior decidimos regressar ao Restaurante Varanda das Camélias para experimentar novos pratos. Neste dia começamos com entradas de moelas, alheira e grelos e favas com chouriço. Divinal!

De prato principal, escolhemos um arroz de tamboril com gambas e costeletão de novilho com migas. Tudo regado por vinho maduro tinto, Castello D’Alba Reserva 2015. Como ficamos cheios, dividimos uma sobremesa de cheesecake de mirtilhos que estava verdadeiramente fabulosa.

Este é um excelente restaurante na Rota do Românico no Vale do Tâmega.


TERCEIRO DIA NA ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO TÂMEGA


1. Castelo de Arnóia

Situado num ponto alto da Terra de Basto (que inclui os concelhos de Celorico de Basto, Mondim de Basto, Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena), o Castelo de Arnóia reina sobre o concelho de Celorico de Basto, com a aldeia do Castelo (antiga Vila de Basto) aos seus pés. Para além do realce arquitectónico, com elementos que a enquadram na arquitectura militar da época românica (a torre de menagem, o torreão quadrangular, a existência de uma única porta e a existência de uma cisterna subterrânea no pátio amuralhado), pode apreciar uma bela panorâmica da região. Pode também visitar o Centro Interpretativo do Castelo de Arnóia, instalado numa antiga escola primária, na aldeia do Castelo.

2. Quinta de Santa Cristina (Almoço) 🍸🍴

A Quinta de Santa Cristina é uma das poucas unidades de Enoturismo na região de vinho Verde, em Celorico de Basto, onde poderá fazer uma visita guiada. Vale a pena conhecer a quinta, bem como todo o processo de produção do vinho. É ainda possível fazer vários trilhos pedestres que permitem conhecer a quinta e a região, sendo que o mais longo tem cerca de 4 quilómetros e o mais curto de 800 metros. Todos os percursos são circulares e estão sinalizados pelo que é uma óptima forma de explorar as vinhas.

Na vinha há uvas de casta Alvarinho, Arindo, Avesso, Loureiro e, entre outras, Batoca, uma casta autóctone das Terras de Basto e que tem vindo a ser recuperada pela Quinta de Santa Cristina.

No final da visita pode fazer uma prova de vinhos, acompanhada por alguns petiscos da região, ou melhor ainda, almoçar na quinta, em piquenique ou na esplanada. A vista sobre as terras de Basto é muito bonita. Pode visitar a quinta todo o ano, mas deve marcar antecipadamente (basta telefonar no dia antes). Para mais informações consulte o site. Vale a pena acrescentar esta paragem na Rota do Românico no Vale do Tâmega e fazer esta visita para perceber melhor a importância do vinho na região do Tâmega.

3. Igreja de Santa Maria de Veade

Localizada junto à estrada que liga Celorico de Basto a Mondim de Basto, a Igreja de Veade tem origem num pequeno eremitério, e terá sido erguida no século XIII. Porém, foi profundamente intervencionada nos séculos XVII e XVIII, tendo a igreja sido inclusive reorientada, exibindo hoje uma fachada de estilo barroco, e restando, da construção românica, os portais laterais norte e sul, com capitéis ornamentados com temática vegetalista.

4. Igreja do Salvador de Ribas

Situada entre Fermil de Basto e Gandarela de Basto, é o extremo norte da Rota do Românico no vale do Tâmega. O edifício medieval, de 1269, encontra-se bem conservado, embora exiba também novos elementos arquitectónicos, como, por exemplo, góticos. Foi acrescentada uma torre campanário na segunda metade do século XVIII.

O acesso à igreja não é onde se encontra a sinalização, pois o portão está fechado, mas sim um pouco mais à frente seguindo pela estrada acima.

5. Igreja do Salvador de Fervença

A Igreja de Fervença encontra-se no vale do ribeiro de Esporão, em Celorico de Basto. Tem raiz românica, ainda subsistindo a capela-mor, edificada no século XIII, mas a nave resulta de uma intervenção da década de 1970, tendo aproveitado parte da estrutura do primitivo corpo românico e descaracterizado a obra de uma forma geral, tanto no seu exterior como no seu interior.


 ONDE DORMIR  🍸🍴 🏨


CELORICO PALACE HOTEL & SPA

Para realizar a Rota do Românico no Vale do Tâmega decidimos alojar-nos em Celorico de Basto pois pareceu-nos, em termos de localização, uma das melhores opções. Escolhemos o Celorico Palace Hotel & Spa, um hotel maravilhoso, que alia, qualidade, simpatia e hospitalidade, tudo acompanhado por um serviço de extrema qualidade. Reservamos um quarto duplo, com varanda, com vista sobre a Sª da Graça.

O nosso quarto era enorme, uma suite com tv, frigorífico, wc e até uma pequena salinha para podermos actualizar as redes sociais. O wifi funcionava lindamente, o que para nós é importante. Como viajávamos de carro, ter lugar para estacionar também era importante, e apesar do hotel ter parque, não o utilizamos porque há imenso lugar onde estacionar em frente ao hotel.

O hotel tem spa, com massagens e tratamentos de beleza, assim como uma piscina exterior magnífica. O pequeno-almoço é muito bom, com fruta, sumos naturais, variedades de pão, croissants e doces, assim com compotas tradicionais ou queijos. O pequeno-almoço é servido no restaurante Varanda das Camélias, onde jantamos todas as notes da nossa viagem. O preço dos quartos varia entre os 56€ e os 120€/noite (algumas opções incluem jantares).

EXPLORE A ROTA DO ROMÂNICO EM PORTUGAL!

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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26 Comment

  1. Lembro que fiz esta rota em 2011, em um dia menos bonito que o seu, mas mesmo assim delicioso. Ótimo post, deu muita saudade e certamente desejo voltar em um futuro próximo. :*

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada pelo feedback, Lua. 😀

  2. Que passeio delicioso, nunca tinha ouvido falar. Obrigada por compartilhar dicas e fotos, estão ótimas!

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada, Adriana.

  3. Que post completo! Não conhecia essa região e achei lindo cada detalhe. Deve ter sido muito legal presenciar a procissão.

    1. Carla Mota says: Responder

      Foi mesmo, Leo. Obrigada pelo comentário.

  4. José Augusto Costa says: Responder

    Já agora 😇 podiam ter dito que a Rota pode ser feita igualmente com a companhia de um intérprete do património… Vocês​ tiveram a oportunidade de assistir a um bocadinho de uma visita 😇. Assin. O técnico intérprete de património

    1. Carla Mota says: Responder

      Olá José, obrigada pelo reparo. Mas podíamos e dissemos. Está no primeiro artigo que escrevemos sobre a Rota (no Sousa). Mas também podíamos ter dito que é uma pena que os monumentos estejam sempre fechados e que a maioria da pessoas não os consiga ver por dentro, já que as marcações apenas fazem sentido quando tem viagens de grupo organizadas, uma vez que os particulares gostam de viajar em ritmo de férias e não a contra relógio. Sim, tem razão, podíamos ter dito muito mais coisas, umas boas, outras más, mas não dissemos. É sempre assim. Por muito que escrevamos nunca dizemos tudo.

      1. José Augusto Costa says: Responder

        Olá Carla. Permita-me uma pequena brincadeira… Mas em 3 dias visitar, ou passar, por 25 monumentos da Rota do Românico não me parece que seja em ritmo de férias… mas sim em contra relógio. Os 58 monumentos da Rota do Românico não são para serem percorridos em 3 fins de semana, mas sim visitados em 3 semanas, usufruindo assim com tempo do que os monumentos nos tem para dar e ainda de algum do património complementar da região. Claro está, que esta é a minha opinião.
        Quando vierem fazer a Rota do Douro, comprometo-me, se assim o desejarem, partilhar convosco um dia. Ficarão com toda a certeza mais enriquecidos.

        1. Carla Mota says: Responder

          Concordo que três dias para 25 monumentos é rápido, mas é a “vantagem” deles estarem fechados. 😉 Como percebe, este é um blogue pessoal e o que partilhamos são apenas experiências pessoais, as nossas. 😉 Foi isto que fizemos, foi isto que partilhamos. Não vendemos roteiros, nem viagens, nem tours. Apenas partilhamos experiências e damos a conhecer o que de mais belo existe em Portugal. Apesar de não concordar com o nosso roteiro, decerto concordará que a publicidade que fazemos à Rota do Românico (totalmente grátis) é positiva. Fazêmo-lo porque gostamos de Portugal, apreciamos o nosso património, valorizamos a nossa história e acima de tudo, consideramos que é benéfico para todos divulgar e dinamizar as regiões menos “turísticas” de Portugal. Quanto à Rota do Românico no Vale do Douro, já a fizemos no ano passado e gostámos muito mas estamos sempre prontos para repetir. Pode ver aqui. http://www.viajarentreviagens.pt/portugal/rota-do-romanico-douro/

  5. Amei! Adoro o estilo românico e ia adorar fazer este passeio! Muito show! As fotos são espetaculares! Dá mais vontade de conhecer os lugares.

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada, Cristina.

  6. Nossa, adorei essa dica numero 5, pareceu me bem interessante esse passaporte. Vou querer fazer isso quando eu for aí! Parabéns pelas fotos!

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada

  7. Olá! Devo confessar que tour para conhecer igrejas não me atrai muito não. Mas achei a rota super interessante, principalmente, devido ao tantão de história que há por trás! Adorei as fotos!!! Nossa, aquela ponte de arco em meio ao verde é muito linda!!! :-)

    1. Carla Mota says: Responder

      Olá Ana Paula. A maioria dos edíficios românicos em Portugal são mesmo igrejas mas há mais coisas. Mas é mesmo isso, não se adequa a toda a gente. Há sempre pessoas que não apreciam. O valor da visita é que estas igrejas têm quatro ou cinco séculos e testemunham um estilo arquitectónico que marcou a Europa num determinado período histórico.

      1. José Augusto Costa says: Responder

        Permitam-me uma correcção: as igrejas têm oito ou nove séculos e para além de testemunhar o estilo românico, são igualmente testemunhos das suas transformações até aos nossos dias.

        1. Carla Mota says: Responder

          Sim, tem toda a razão, falha minha. O estilo românico tem oito séculos, ja que a maioria dos edifícios datam do século XII e XIII. Obrigada pela correcção.

  8. Que incrível. Não tinha ouvido falar desta rota até então! Adorei conhecer através do post de vocês! Que legal esta ideia do passaporte! :)

    1. Carla Mota says: Responder

      Sim, a ideia do passaporte é mesmo genial. Os turistas adoram estas coisas. Obrigada.

  9. Amei as dicas e as fotos! Só conheço os lugares mais tradicionais de Portugal, mas amo essas cidadezinhas charmosas. Uma ótima opção de rota quando voltar ao país!!

    1. Carla Mota says: Responder

      Agora que gostou da sugestão já tem uma desculpa para voltar, Marianne. 😉

  10. Excelente post :) Ainda não tivemos oportunidade de visitar o Vale mas depois de ver este post com essas fotos fantástica certamente estará na nossa lista :)

    1. Carla Mota says: Responder

      Força, Rui. Portugal tem imensos lugares maravilhosos para descobrir.

  11. Que legal! Confesso que nunca havia ouvido falar da rota do românico, mas fiquei encantada com os monumentos. Quero fazer o roteiro de 3 dias na minha próxima ida a Portugal!

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada pelo comentário, Gabriela. Portugal tem lugares maravilhosos, mas normalmente os visitantes não têm tempo para explorar tudo por isso acabam por conhecer todos o mesmo.

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