Do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo, e até à Achada do Teixeira, na Madeira | Portugal

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O nosso primeiro dia na Madeira foi extenuante do ponto de vista físico, pois logo que chegámos ao aeroporto, por volta das dez da manhã, falámos com o representante da Driving Madeira, entrámos no carro alugado que seria o fiel companheiro no nosso périplo pelas ilhas da Madeira e Porto Santo, e imediatamente nos dirigimos ao Poiso, um cruzamento na Estrada Regional (ER) 103, que liga o Funchal a Santana, onde aproveitámos para comprar alguns snacks e bebidas. Seguimos depois estrada acima até ao Pico do Areeiro, início do percurso pedestre do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo (PR1 – Vereda do Areeiro), o nosso objectivo principal desse dia.

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Chegados ao Pico Ruivo, uma opção seria voltar para trás, fazendo o percurso novamente até ao Pico do Areeiro. No entanto, ao fazermos o nosso roteiro, já tínhamos posto essa opção de lado, pois não tínhamos muito tempo e não queríamos repetir o trilho (ainda que em sentido contrário). Decidimos, assim, fazer o percurso até à Achada do Teixeira (PR1.2 – Vereda do Pico Ruivo), onde apanharíamos um táxi (previamente combinado) até ao ponto inicial do percurso (e onde tínhamos deixado o nosso carro estacionado).

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Neste nosso périplo pelo arquipélago, um dos nossos objectivos era explorar alguns dos percursos pedestres que são uma das imagens de marca da Madeira. Fizemos as nossas pesquisas, estudamos o terreno, e seleccionamos aquilo que queríamos, e poderíamos, fazer na semana que tínhamos no arquipélago. O percurso do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo era incontornável. Teríamos quatro dias na Madeira e três dias em Porto Santo. Consultámos as previsões meteorológicas e o dia em que chegávamos à Madeira seria o melhor para subirmos aos picos mais altos da ilha. Não havia, então, tempo a perder.

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Mas recuemos um pouco. Há já alguns anos que tínhamos a Madeira e Porto Santo como destinos na calha. Mas a nossa disponibilidade de tempo é limitada e outros destinos foram impondo-se entretanto na nossa agenda, e a realidade é que fomos adiando esta viagem. Este ano resolvemos não adiar mais, pois estava na altura de nos dedicarmos ao belíssimo arquipélago da Madeira.

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Projectámos um roteiro ambicioso, e exigente do ponto de vista físico, mas que sabíamos que seria imensamente recompensador, pois tínhamos de antemão uma ideia da beleza deste arquipélago. Estradas de pôr os cabelos em pé, paisagem de montanha deslumbrante, vegetação luxuriante, túneis que são verdadeiras obras-primas de engenharia, praias de areia mas também de pedra vulcânica, formações geológicas de manual, gastronomia deliciosa, alojamento de qualidade de topo, o arquipélago da Madeira tem tudo isto e muito mais. Era tempo de o explorar a partilhar com os nossos seguidores, e a nossa primeira aventura seria o percurso pedestre do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo.

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Do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo

Chegados ao Pico do Areeiro, o tempo estava espectacular. Havia nebulosidade, mas os picos mais altos da ilha encontravam-se acima do nível das nuvens, formando um cenário digno de filme. Sabíamos que era um percurso exigente e de condições meteorológicas muito variáveis, por isso equipámo-nos convenientemente, nomeadamente com protector solar, casaco impermeável, frontal (para os túneis), água e comida. Ao contrário da Carla, cometi o erro de não levar um bastão de caminhada, erro que pagaria caro mais tarde.

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Este trilho tem 7 km de comprimento, com duração estimada de 3 horas e meia (mas que acabaríamos por terminar em 4 horas), e liga o Pico do Areeiro ao Pico Ruivo, o ponto mais alto da ilha da Madeira (1862 m). Quando começámos, junto à Pousada do Pico do Areeiro, por volta das 11h30, eram já muitos os caminhantes que percorriam o trilho, em ambos os sentidos.

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A paisagem, vista do Pico do Areeiro, é estonteante, mas começando o percurso, melhora ainda mais. Apesar de a diferença entre a altitude máxima e mínima atingidas durante o percurso ser 320 m, a verdade é que o desnível acumulado durante o percurso é muito maior, pois o trilho é sempre a subir e a descer, por vezes com declives muito acentuados. Sendo assim, é imperioso ir doseando o esforço físico, pois há muito caminho pela frente.

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Um dos pontos de interesse na parte inicial do percurso é o miradouro do Ninho da Manta, de onde tivemos vistas espectaculares dos picos que furavam o manto de nuvens que nos rodeava. As encostas ali são vertiginosas, por vezes de ambos os lados do trilho, mas os corrimões de aço, presentes nos troços mais perigosos, dão mais segurança aos caminhantes com mais vertigens. No nosso caso, a verdade é que o manto de nuvens, além de dar um carácter místico à paisagem, também permitia tapar a profundidade real das vertentes!

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A partir dali, o percurso desce bastante, e os degraus começam a pesar sobre os joelhos e músculos das pernas, sendo o bastão um amigo fiável nestas circunstâncias, para minimizar o esforço na descida.

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Num cruzamento, placas apontam as duas alternativas dali para a frente, mas a Vereda do Areeiro encontra-se, neste momento, condicionada, estando transitável pela vereda oeste (ou seja, pelos túneis), mas mantém-se encerrado o caminho que vai pela vereda leste, que passa pelo Pico das Torres (1853 m).

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Ao longo do percurso entre o Pico do Areeiro ao Pico Ruivo, cruzamos vários túneis escavados na rocha vulcânica, e onde é conveniente usar o frontal (ou lanterna) para iluminar o caminho. Contornámos, de seguida, o Pico das Torres por uma subida íngreme, usando uma escadaria escavada na rocha e também alguns lances de escadas metálicas. Este troço é o primeiro grande obstáculo do percurso, exigindo um esforço físico considerável.

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A seguir, vem outra grande descida, e os músculos voltam a ressentir-se. No meu caso, o facto de não ter bastão, assim como o não me ter alimentado convenientemente até aquele momento (pois tínhamos saído do Porto de madrugada e não tínhamos parado para comer desde então), teve consequências e comecei a sentir cãibras nas pernas, que me acompanhariam até ao final do nosso percurso.

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A parte mais difícil do percurso entre o Pico do Areeiro ao Pico Ruivo acabou por ser a subida final até à Casa de Abrigo do Pico Ruivo. Já estávamos cansados, tinha de parar com alguma frequência devido às cãibras, e o caminho parecia não ter fim. A paisagem continuava, no entanto, a ser deslumbrante, sendo que o manto de nuvens nos acompanhou sempre, e isso dava-nos alento para continuar. Quando chegámos ao cruzamento com o trilho em direcção à Achada do Teixeira (pelo qual seguiríamos mais tarde), sabíamos que o Pico Ruivo estava perto.

Do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo, e até à Achada do Teixeira, na Madeira | Portugal

Chegados à Casa de Abrigo do Pico Ruivo, parámos durante alguns minutos, e depois iniciámos a curta mas penosa subida final. São poucas centenas de metros, mas as pernas teimavam em não responder. Mas, finalmente, atingimos o nosso objectivo. Estávamos felizes, e deslumbrados com as vistas do Pico Ruivo.

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O Pico do Areeiro parece estar quase logo ali ao lado, e dali se tem uma perspectiva única sobre o percurso efectuado, sendo notório o facto de ser um percurso muito “sobe-e-desce”, sendo a distância em linha recta entre os dois picos muito menor do que aquela percorrida pelo percurso serpenteando pelas montanhas. Aproveitámos para descansar um pouco, mas resolvemos comer apenas após descermos novamente até à Casa de Abrigo.

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Ali comemos umas sandes de carne grelhada que tínhamos trazido de Portugal continental.

O percurso do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo até ali tinha sido espectacular, superando mesmo as nossas expectativas, tanto na sua beleza, como no esforço físico exigido. No entanto, ainda não tínhamos acabado.

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Do Pico Ruivo à Achada do Teixeira

Este trilho é, por si só, bastante popular na Madeira, podendo ser feito a partir da Achada do Teixeira, até ao Pico Ruivo, e de volta pelo mesmo caminho. Nós optámos por o fazer de seguida ao percurso entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo. Tem um comprimento de 2,8 km, e ao contrário do que tínhamos feito até ali, era quase sempre a descer, terminando na Achada do Teixeira (1592 m).

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O trilho desce ao longo de um “lombo”, que, se o dia estivesse completamente limpo, proporcionaria vistas, de um lado, sobre o vale da Ribeira Seca, encimada pelo Pico das Torres, e ao fundo o Pico do Areeiro, e do outro, sobre a serra de Santana. No entanto, a paisagem, igualmente mágica, a que tínhamos direito eram os respectivos picos e um extenso manto de nuvens.

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Mais uma vez, o facto de o trilho ser a descer não era sinónimo de descanso das pernas. Os quilómetros acumulados já eram alguns, e principalmente o esforço dos desníveis, faziam com que as pernas já não estivessem em condições nem para descidas. Saímos do Pico Ruivo por volta das 16h00, e demorámos cerca de 45 minutos a percorrer a distância que nos separava do táxi que esperava por nós. Chegados à Achada do Teixeira, não perdemos tempo, apanhámos o táxi que nos trouxe de volta ao Pico do Areeiro, e de volta ao nosso carro. Foram 50 euros bem gastos, pois permitiu-nos conhecer dois percursos pedestres no mesmo dia e estar de volta ao ponto inicial por volta das 18h00.

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Mas nosso dia não tinha chegado ao fim. Fomos pela estrada da Eira do Serrado, passando pelo miradouro do Paredão, e ainda fomos ao Miradouro da Eira do Serrado, mas ambos estavam envoltos em espesso nevoeiro. Regressaríamos noutro dia, mas naquele dia estava na hora de seguirmos em direcção ao Funchal, e ao Palheiro Village, o alojamento que seria a nossa casa nos próximos três dias. Era o fim de um dia extenuante, mas igualmente recompensador, o percurso do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo tinha sido fantástico, e um sinal daquilo que estava para vir. A nossa aventura pela Madeira e Porto Santo estava ainda a começar.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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2 Comment

  1. Também fiz a levada do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo e embora tivesse sido cansativo, até porque estava muito calor, as vistas são fantásticas!

    1. Rui Pinto says: Responder

      É do melhor. 😀

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