DICAS do Trilho das Fisgas de Ermelo (Serra do Alvão) | Portugal

fisgas de ermelo

O Trilho das Fisgas, com a designação de PR3 – Fisgas de Ermelo, permite conhecer um pouco da bonita Serra do Alvão e uma das suas paisagens emblemáticas, as Quedas de Água de Fisgas de Ermelo.  A aldeia de Ermelo, onde tem início o trek, é facilmente acessível a partir da vila de Mondim de Basto. O Trilho das Fisgas de Ermelo é uma autêntica descoberta da alma do Alvão. O trilho atravessa uma série de paisagens verdadeiramente surpreendentes que permitem mais uma vez confirmar aquilo que nós há muito desconfiávamos: Portugal é mesmo um dos países mais bonitos do mundo.

Fisgas de Ermelo


DICAS GERAIS


1. O Trilho das Fisgas pode ser feito em qualquer altura do ano, mas as melhores épocas são a Primavera e o Outono, já que no Verão as temperaturas podem ser bastante altas, e no Inverno as condições atmosféricas adversas, como o frio e o nevoeiro, e o piso escorregadio podem dificultar o percurso.

2. O Trilho das Fisgas é um percurso circular, com início e fim na aldeia de Ermelo, totalizando 12,4 km, o que permite deixar o carro e apanhá-lo no mesmo local.

3. O Trilho das Fisgas está muito bem sinalizado pelo que a orientação é fácil.

4. O piso ao longo do trilho é incerto e por vezes cascalhento, por isso é necessário caminhar com cuidado, principalmente nas descidas, e se possível com a ajuda de um bastão de caminhada (ou dois, se assim o preferirem).

5. Leve calçado confortável porque o percurso é sempre feito em trilho de montanha.

6. Leve bastante água. Pode recolher água nas Fisgas mas recomenda-se a utilização de pastilhas purificadoras.

7. Use bastante protector solar porque o Trilho das Fisgas é bastante exposto ao sol.

8.  É um trilho exigente a nível físico, já que o desnível acumulado é cerca de 650 m. No entanto, se o fizer de forma descontraída e sem pressão de tempo, é bastante exequível até para crianças com 10 ou 12 anos. Crianças mais pequenas não devem fazê-lo.

9. Estacione o carro perto da igreja de Ermelo. Não há muitos lugares por isso pode ter que o deixar alguns metros mais acima ou abaixo.

10. Existe um pequeno café na aldeia de Ermelo, próximo da igreja. Pode comprar água aí.

11. Se vier aqui no Verão, não se esqueça dos calções de banho. Não se vai arrepender.

12. As piócas das Fisgas são o lugar ideal para almoçar. Se estiver bom tempo tome um banho nas piócas antes do almoço e estenda-se nas rochas a secar ao sol.

Fisgas de Ermelo

Mapa do Trilho das Fisgas (gentilmente cedido pela Câmara Municipal de Mondim de Basto)

Pode também fazer o download do panfleto do trilho aqui.


A NOSSA EXPERIÊNCIA NO TRILHO


Começámos o Trilho das Fisgas por volta das dez da manhã, na bela aldeia de Ermelo, com as suas casas típicas de xisto e ardósia. Depois de uma breve descida, e de atravessarmos a Ribeira de Fervença numa bela ponte de madeira, iniciámos a longa subida que nos levaria às Fisgas de Ermelo. A parte inicial da subida é ladeada por uma corda mas, logo de seguida, a subida é feita por uma espécie de estrada corta-fogo. A inclinação do terreno não é excessiva, por isso, apesar de longa, a subida faz-se sem um esforço demasiado grande, devendo ainda assim parar-se frequentemente para admirar as belas paisagens e recuperar um pouco o fôlego.  Quando encontrámos uma curva apertada, onde se encontrava um primeiro leitor de paisagem e de onde se tinha uma bela vista da serra e um vislumbre das quedas de água, decidimos parar um pouco para beber, comer e descansar. Este leitor de paisagem está sobre a “Lomba do Bulhão” e destaca a importância da biodiversidade local da serra.

Fisgas de Ermelo

A partir daí o declive é um pouco mais acentuado, e tivemos de caminhar pausadamente por um trilho estilo caminho de cabras. E mais à frente, nem a propósito, apesar de já termos regressado a um caminho mais largo, tivemos um encontro com uma das espécies emblemáticas da Serra do Alvão. Dois pastores guiavam um rebanho com algumas ovelhas, mas essencialmente de cabras, ajudados por alguns cães.

Fisgas de Ermelo

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O rebanho era composto por centenas de cabras que nos obrigaram a encostar à valeta para as deixarmos passar. Este é o seu território e nós é que somos os convidados.

Fisgas de Ermelo

O percurso continua e segue em direcção às Fisgas de Ermelo, entrando cada vez mais no vale do rio Olo. As vertentes escarpadas começam a exibir-se com uma coloração amarelada, proveniente do desenvolvimento dos líquenes Dimelaena oreina, que se fixam nestas paredes rochosas. A “fraga amarela”, como é conhecida no local, é um testemunho do bom estado de saúde do Alvão.

Fisgas de Ermelo

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Logo à frente, já muito mais perto das quedas de água, existe um segundo leitor de paisagem “Alto da Cabeça Grande”, de onde se tem uma vista privilegiada sobre as quedas de água. Este é um dos pontos altos do Trilho das Fisgas, a vista deste miradouro (apenas acessível a pé durante o trek) é imbatível. Aqui, bem de frente para as Fisgas de Ermelo, conseguimos ver o rio Olo “esfisgar” por entre os quartzitos. Vale a pena parar um bom bocado. Tirar muitas fotografias, respirar o ar puro, comer e beber qualquer coisa. Quando se deixa o miradouro e se volta a subir, vale a pena olhar para trás, contemplando o miradouro rodeado por cordas bem de frente para as Fisgas.

Fisgas de Ermelo

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A subida continua mas muito menos acentuada, conforme nos aproximámos das Piócas de Cima. Antes de lá chegar ainda existe um pequeno miradouro rodeado por cordas, num cotovelo do percurso.

Fisgas de Ermelo

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O Trilho das Fisgas segue pelo bosque de pinheiros até alcançar as piócas. Estas piscinas naturais são formadas pela água do Rio Olo que escava a rocha por onde passa e cai. Aí é possível acercarmo-nos da água. Foi aí que decidimos fazer uma pausa para o almoço.

Fisgas de Ermelo

Se o tempo estivesse mais quente, seria possível tomar um banho, mas a água estava fria e o tempo fresco não convidava a aventuras. Se vier aqui no Verão, não se esqueça dos calções de banho. Não se vai arrepender.

Fisgas de Ermelo

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A partir daí, o percurso segue o rio para montante, num percurso muito bonito, em direcção à aldeia de Varzigueto. Pelo caminho, o Trilho das Fisgas passa junto a um moinho e até segue durante alguns metros uma pequena levada. Na Primavera, esta parte do percurso está coberta de flores amarelas, rosas e liláses tornando a paisagem uma autêntica tela de Monet.

Fisgas de Ermelo

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A aldeia do Varzigueto é uma aldeia típica das terras altas, infelizmente com poucos habitantes mas onde uma palavra amiga fazem a diferença dos dias. Saíndo da aldeia, atravessa-se o Rio Olo numa ponte na estrada asfaltada e volta-se a entrar no trilho. Faz-se uma pequena subida, passando por cima das piócas e das Fisgas até chegarmos a outro leitor de paisagem, a “Cancela do Miradouro”. Aqui pode-se interpretar a paisagem e perceber aquilo que estamos a ver, nomeadamente a aldeia de Bilhó à nossa frente, e o Monte Farinha (com o Santuário da Senhora da Graça) em pano de fundo. A paisagem é igualmente deslumbrante.

Fisgas de Ermelo

Fisgas de Ermelo

Inicia-se então a descida até outro miradouro das quedas de água, que já tínhamos vislumbrado quando passávamos do outro lado do vale. Este miradouro é o mais conhecido (já existe muito antes do trilho), uma vez que uma estrada asfaltada chega até aqui. Vale a pena aproximar-se do miradouro e juntar-se às pessoas que aqui vêm ver as Fisgas de Ermelo. Não são as melhores vistas das Fisgas, mas são as mais acessíveis.

Fisgas de Ermelo

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Daqui desce-se então em direcção à aldeia de Fojo (onde o trilho não chega a entrar) e depois em direcção ao Rio Olo. Aí é possível ter acesso às Piócas de Baixo, outras piscinas naturais, mas como o tempo não convidava a banhos decidimos seguir em frente. Com bom tempo, uma descida às Piócas de Baixo é obrigatória. Mesmo de longe, é possível no entanto ter uma visão das piócas e admirar a sua beleza.

Fisgas de Ermelo

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O percurso continua a descer até se cruzar o Rio Olo na Ponte da Abelheira, uma bela ponte de madeira, para depois se fazer a subida final até à aldeia de Ermelo, cruzando os campos agrícolas.  Em Ermelo parámos num café para beber um refresco, pois chegámos por volta das quatro da tarde, e quando o sol brilhava por entre as nuvens o calor já apertava. Estava assim terminado um belo percurso que não deixará ninguém indiferente, uma bela introdução às paisagens da Serra do Alvão e que deixará certamente, em todos aqueles que o façam, a vontade de voltar e explorar melhor as Terras de Basto.

Fisgas de Ermelo


ONDE DORMIR


MONDIM ÁGUA HOTEL: À saída de Mondim de Basto e em direcção à aldeia de Ermelo, na Serra do Alvão, o Mondim Água Hotel é uma escolha natural para quem pretende fazer o Trilho das Fisgas. O hotel tem uma bela vista sobre o Tâmega e o seu vale, sendo uma bela introdução ao ambiente das Terras de Basto.

O espaço do hotel é muito agradável, com um bela piscina, parque infantil e um restaurante e bar com uma vista invejável. Os quartos são espaçosos e muito confortáveis (óptimos para recuperar do trek). Embora não tivéssemos jantado no hotel, o cheirinho a posta no dia em que chegamos quase nos convenceu. Pode marcar este hotel aqui.


ONDE COMER


Não há meias palavras, para comer bem há que ir às Terras de Basto! Não se vai arrepender de dedicar uma ou duas refeições para descobrir a gastronomia da região. Mondim de Basto tem alguns lugares dignos de uma visita gastronómica mas nós recomendamos-lhes aqueles que gostamos mais e que não pode deixar de visitar.

CASA DA CAINHA

A Casa da Cainha é uma óptima escolha para apreciar a verdadeira comida das Terras de Basto. Não perca as maravilhosas entradas como o magnífico chouriço, alheira, pão regional e azeitonas. Escolha um bom vinho e desfrute da boa comida portuguesa. Nós bebemos um vinho maduro da casa (Montes Ermos, do Douro Superior), que por sinal era muito bom.

Os ex-libris da ementa são muitos, desde o polvo e bacalhau à lagareiro, acompanhados por maravilhosas batatas a murro, ou a deliciosa e suculenta posta regional com grelos. De sobremesa, deixe-se encantar pelo “pudim maravilha” da Dona Rosa, a fresca “delícia de morangos” triturados ou a deliciosa mousse de chocolate. O espaço interior é muito acolhedor e, nas noites frias de Inverno, pode jantar aqui com o calor da lareira tradicional e ver os fumeiros pendurados.

ADEGA 7 CONDES

No centro histórico de Mondim de Basto, a Adega 7 Condes tem um espaço exterior recatado, com uma bela esplanada para aproveitar os dias longos de Verão em Trás-os-Montes. A selecção de vinhos da adega é invejável e poderá aqui encontrar bons vinhos do Douro ao Alentejo. O Sr. Paulo recomendou-nos um vinho Bafarela reserva 2014 para acompanhar a deliciosa carne maronesa.

O vinho era óptimo e acompanhou-nos ao longo da refeição, que iniciámos com um bom chouriço, azeitonas e pão regional. De prato principal optámos pelo misto de carne maronesa, com costela, posta e costeletão, acompanhado por batata a murro. A Adega 7 Condes tem a fama de ser um dos melhores lugares para comer carne maronesa em Portugal, a qual pudemos comprovar.


COMO CHEGAR


O Trilho das Fisgas tem inicio na aldeia de Ermelo, no concelho de Mondim de Basto. Para chegar aqui, desde o Porto, há que apanhar a A4 em direcção a Amarante e aí sair rumo a Celorico de Basto e daí seguir para Mondim de Basto. Ermelo é um aldeia no concelho de Mondim. Outra opção será seguir a A4 até perto de Vila Real, e depois de passar o túnel do Marão, sair na Campeã e ir até à aldeia de Ermelo (antes de chegar a Mondim de Basto).

O trilho tem inicio nas coordenadas GPS: 41º21’37.4”N e 7º53’21.5’O.

Fisgas de Ermelo

PROCURE ALOJAMENTO EM MONDIM DE BASTO

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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13 Comment

  1. Manuel Gaspar says: Responder

    Experimentem também os restaurantes da montanha e os alojamentos de montanha .
    Tasca da Alice na aldeia de Bobal e a Casa Da avó Ana como alojamento .
    Uma promessa que não se arrependem .

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada pela sugestão.

  2. Gabino Lourenço says: Responder

    Como posso escrever ou um numero de telefone ob

  3. Jorge Conceição says: Responder

    Fiz a caminhada agora no dia 10/6 com base nestas dicas e resultou maravilha. 👍 Como fiquei alojado em Celorico não tive oportunidade de conhecer os restaurantes sugeridos mas consegui beber o Bafarela Reserva 2014 (não conhecia) que é top! 😊 Obrigado pelo excelente blog que sigo com muita atenção!

    1. Carla Mota says: Responder

      Olá Jorge, muito obrigada pelo feedback. Que maravilha. :)

    2. Jose carlos Freitas says: Responder

      Meu Grande amigo Jorge , Só as palavras falam por si , eu que ando para essas linda paisagens nunca tive oportunidade de fazer uma caminhada , porque naõ tinha pessoal para alinhar .
      eu com 58 anos espero um dia faz elo . Obrigada também a Carla Mota , pelos seus lindos Blogs , que vou seguir com muito carinho , pelos bons momentos de leitura que nos oferece .

      1. Carla Mota says: Responder

        Obrigada, José. :)

  4. Catarina Carona says: Responder

    Carla e Rui, muito obrigada, vamos seguir os vossos passos e vamos este domingo fazer o mesmo mas com banhos!!! 😉

    1. Carla Mota says: Responder

      Quero ver fotografias disso, Catarina. :) bjinhos

  5. Joana Martins says: Responder

    Adorei o post
    Está muito completo e até dá vontade de também lá ir :)

    1. Carla Mota says: Responder

      Olá Joana. Obrigada :)

  6. Joaquim Achando says: Responder

    Excelente opção, a serra do Alvão, a senhora da Graça e obviamente as fisgas de Ermelo. Lugar ideal para caminhada, bom repasto, o vinho verde e morangueiro é bom, mas a água é do melhor que há. E, não esquecer o mel de urze, bem escuro e puro, e característico da região. A estrada que serpenteia o Alvão desde Mondim de Basto à Campeâ, a caminho de Vila Real, recomendo vivamente.

    1. Carla Mota says: Responder

      Boas sugestões, Joaquim. :)

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