Dicas para fazer a linha do Tua a pé | Portugal

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No fim de semana de São João, 23 e 24 de Junho, decidimos fazer a pé o percurso da linha do Tua. Iniciamos o percurso no Cachão. Até 2011 este era o local onde terminava o metro de Mirandela, no entanto desde 2012, o metro apenas circula até Carvalhais. Quem efectua o percurso em transporte público pode consultar o horário do metro aqui: http://www.cm-mirandela.pt/index.php?oid=275. A CP assegura algumas ligações em táxi para substituir as ligações de comboio que foram suspensas.

Vamos dividir o troço da linha do Tua entre várias estações para que seja mais fácil compreender o percurso ao longo da linha. Um blog de referência para quem vai fazer a linha é o http://alinhaetua.blogspot.com de onde tiramos este mapa.

Entre Cachão e Abreiro (12 km)

Uma vez no Cachão iniciamos o nosso percurso pela linha do Tua. Este é o km 41 desde o Tua. É recomendável começar relativamente cedo para fazer a primeira parte do troço durante a manhã. O objectivo será ir almoçar a Abreiro que fica a 12 km.
A estação do Cachão é o melhor local para abastecer. Há um café mesmo ao lado da estação. Aqui é possível comprar água fresca, gelados, sandes e bolos. Depois de iniciarmos a caminhada pela linha são poucos ou nenhuns os locais de abastecimento, essencialmente de comida. Assim, devemos levar do Cachão a água que necessitamos para o primeiro dia. No verão o vale do Tua é extremamente quente.
Nos primeiros kilómetros de percurso pela linha vamos seguindo o curso do rio, sempre do lado direito. O rio corre em vale aberto devido à litologia dos materiais. As rochas que abundam são xistos e mais alguns metasedimentos. Há por aqui alguns lugares bons para ir a banhos, embora, como estamos no início do percurso, não seja grande ideia. A paisagem de olival é uma constante.
Ao fim de 5 km chegamos a Vilarinho (km 37). Antes de chegar à estação de Vilarinho cruzamos uma estrada. Aí perto existe um ponto onde dá para abastecer água. Pode ser boa ideia parar cinco ou dez minutos em cada um dos apeadeiros e estações pois estas vão aparecer a cada uma hora, hora e meia de caminho. Esta estação está abandonada e vandalizada.

De Vilarinho o percurso continua até Ribeirinha, a 3 km. Neste troço as vertentes estão cobertas de oliveiras e o trilho da linha tem bastantes silvas e ervas daninhas. A estação de Ribeirinha (km 34) foi convertida numa casa particular. Daqui para a frente, o vale do rio começa a ficar mais encaixado porque começam os afloramentos graníticos até alcançar a estação de Abreiro (km 29). Este percurso corresponde a aproximadamente 5 km.

A estação de Abreiro está emparedada, não permitindo ter sombra. É boa opção parar para almoçar debaixo da ponte pois não há mais sombras nos próximos quilómetros. Para quem ainda tiver forças, a povoação de Abreiro fica a cerca de 2km de estrada. Do outro lado da ponte, na margem direita do Tua, existe uma nascente de água fresca onde se poderá abastecer. Atenção que daqui até São Lourenço não terá mais nenhum local para abastecer de água.

Entre Abreiro e São Lourenço (14 km)

Depois de sair da estação de Abreiro atravessa-se a primeira ponte metálica do percurso. Esta zona convida bem a banhos por isso, para quem quiser é uma boa opção. Basta escolher o local. Por aqui o curso do rio já corre de novo nos xistos por isso o vale volta a ser bem aberto. Os afloramentos de quartzitos e granitos vão parecendo esporadicamente, concedendo carcterísticas distintas à paisagem.

Passados 4 km chega-se a Codeçais (km 25). Nesta zona há também bastantes silvas e ervas daninhas no percurso. De Codeçais para a frente, a paisagem de olival vai dando lugar à vinha. Esta começa, progressivamente a cobrir as vertentes. Esta zona também é boa para ir a banhos no rio porque continuamos em xistos, com o vale aberto, permitindo o acesso fácil. O percurso continua por mais 4 km até alcançar a estação de Brunheda (km 21). Aqui a estação está aberta e pode-se descansar no seu interior. É uma óptima opção para dias muito quentes ou de chuva.

Depois de Brunheda, o vale começa a ficar mais encaixado, dando os xistos lugar aos granitos. Entre Brunheda e São Lourenço, percurso que dista 6 km, existe o apeadeiro de Tralhão (km 18), sensivelmente a meio do percurso. É também um bom local para apreciar a paisagem e recarregar baterias para os quilómetros finais.

A estação de São Lourenço (km 16) é um óptimo local para passar a noite. Tem alguns lugares onde se pode acampar, quer junto à linha, quer junto às termas, uns metros acima. Não existem infra-estruturas de apoio. Na melhor das hipóteses é possível utilizar os banhos termais sulfurosos que estão abertos ao público. Leve tudo aquilo que vai necessitar. A aldeia mais próxima daqui é Pombal, que está a mais de 4 km por estrada. Para informação mais detalhada sobre as termas pode ver aqui: http://www.aguas.ics.ul.pt/braganca_slourenco.html.

Entre São Lourenço e o km 3 da Linha do Tua  (13 km)

De São Lourenço (km 16) em direcção a Foz Tua, o percurso é quase todo feito em vale de garganta que o rio talhou nos granitos, aproveitando linhas de falha e fractura. Este troço da linha será a área submersa pela barragem. Estima-se que a albufeira criada pela barragem vá submergir os primeiros 16 km da linha do Tua, chegando assim até São Lourenço.

Abasteça-se de água antes de sair de São Lourenço porque daqui para a frente vai ser muito dificil encontrá-la. O percurso continua para montante em direcção a Santa Luzia (km 13) que fica a cerca de 3 km. Aqui, um teleférico sobre o rio fazia a ligação entre a povoação de Amieiro e a estação de Santa Luzia.

Daqui para a frente, os carris desaparecem durante alguns metros voltando depois de se cruzar a estrada. Alguns quilómetros à frente existem blocos rochosos de grande dimensão sobre a linha, provenientes de um desabamento. O local do desabamento está cercado de cabos de aço que prendem alguns blocos soltos na vertente.

Algumas centenas de metros à frente atravessa-se a segunda ponte metálica do percurso e pouco depois o primeiro túnel. Segue-se o apeadeiro de Castanheiro (km 7), a 5 km de Santa Luzia. É um bom local para parar, embora se estiver muito sol ou chuva seja mais prudente fazê-lo nos túneis. Ao km 6 encontramos o segundo túnel que tem uma bela ponte em seguida. Este é um dos troços mais bonitos da linha. O rio corre perfeitamente encaixado no vale em garganta.

Algumas centenas de metros à frente aparece o terceiro e último túnel. Se estiver bastante calor recomenda-se parar aqui antes de seguir. Daqui para jusante as sombras serão praticamente inexistentes.

O último apeadeiro na linha é Tralhariz (km 4). Um quilómetro depois a linha termina. As obras da EDP cortaram a linha do Tua ao km 3 com o desaparecimento dos carris e a sinalização que proibe a passagem daqui para jusante. É altura de sair da linha e subir a vertente.

Entre o km 3 da Linha do Tua e Foz Tua (8 km)

No km 3 da linha é necessário iniciar uma subida pela vertente até à aldeia do Fiolhal. Quando aparece o sinal com o km 3 há um caminho de terra batida do lado esquerdo. É este caminho que deve ser feito. São cerca de 1,5 km de subida estenuante, num terreno pedregoso, sem sombras e com um desnível de mais de 300 m.  

Na aldeia do Fiolhal será uma boa ideia solicitar aos locais água porque o resto do percurso até Foz Tua pode ser feito por atalhos ou por estrada mas sempre sem sombras. Nós fizemos uma primeira parte por atalho, poupando cerca de 2 km no percurso mas depois apanhamos a estrada. É possível descer sempre por atalhos mas nós não os encontramos. Assim sendo, fizemos cerca de 6 km entre Fiolhal e Foz Tua. Chegados a Foz Tua há que descansar, comer qualquer coisa  e regressar a casa. Pode ser boa opção apanhar aqui o comboio para o Porto ou um autocarro para Mirandela.

Horários de comboio entre o Tua e o Porto podem ser consultados aqui:
http://www.cp.pt/StaticFiles/Passageiros/horarios/horarios/PDF/r_ir_uc/porto_regua_pocinho.pdf

Horários de autocarro entre o Tua e Mirandela podem ser consultados aqui:
http://www.cp.pt/StaticFiles/Passageiros/horarios/horarios/PDF/r_ir_uc/linha_tua.pdf

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Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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6 Comment

  1. M Mogo says: Responder

    Há cerca de 22 anos fiz mais ou menos 800 km de propósito até ao TUA com o objectivo de andar de comboio para baixo e para cima, na máquina, nas carruagens e ainda de carro apenas e só por gozo e para filmar esta linha. Foi o único que editei, perdi horas a fio para registar pouco mais de 10 minutos de filme (e tecnicamente não vale um chavo), até musica de fundo coloquei ( Barcelona de Freddie Mercury e Montserrat Caballé, gravado em 1987).
    Quer Freddy Mercury, quer Montserrat Caballé e a linha do Tua (que podia estar viva) também.
    Sinais do tempo? Sim no que toca aos humanos. Quanto à linha do Tua diria que foi barbárie.
    O filme que preservo, passou a obra prima e não me canso de o ver.
    Estou triste.

    1. Carla Mota says: Responder

      O Tua é magnífico é uma pena o que está a acontecer.

    2. Rúben Lobo says: Responder

      onde se pode ver esse filme ?

  2. Fiz uma viagem idêntica há 2 anos e fomos descansando nos hóteis mais pitorescos. A bananatrips ajudou-nos bastante a encontrá-los.
    https://www.facebook.com/pages/bananatrips/251897799632

  3. Também andámos por lá e podemos confirmar tudo o que vem aqui descrito. É sem dúvida um lugar impressionante. Resta-nos lutar, o tempo que resta, pela manutenção deste belíssimo património natural e paisagístico.

    http://www.osmeustrilhos.pt/2013/03/04/linha-do-tua-a-pe/

    Abraço,

    Os Meus Trilhos

  4. Um local efectivamente fantástico onde é possível observar com elevado prazer o Douro, as serras, o verde da paisagem. Bem divertido.

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