Viajar em Omã | A nossa experiência num roteiro de 10 dias

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Viajar em Omã!? A verdade é que este país nunca fez parte dos nossos planos de viagem até ao dia em que se tornou evidente que viajar para o Iémen, um dos meus países de sonho, era cada vez mais difícil. Depois da tentativa frustrada de visitar o Iémen em 2014, comecei a olhar para os países da Península Arábica com outro olhar. Se o Iémen se tornou impossível de visitar da noite para o dia, talvez outros países da península acabem com o mesmo destino. Assim, comecei a olhar para os mapas e a escolher destinos de viagem que me parecem passíveis de instabilidade e que no futuro posso não os conseguir visitar. Foi assim que apareceu Omã na nossa lista.

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Quando começámos a programar a viagem percebemos rapidamente que viajar em Omã não ia ser fácil. Omã é uma potência petrolífera do golfo e os preços praticados estão associados ao preço do petróleo. Dito isto, é fácil de perceber que viajar em Omã não é barato. Para além disso, percebemos que o sistema público de transporte é muito reduzido, fruto da subida do nível de vida da população, novamente uma consequência da abundância de petróleo. Decidimos, no entanto, dentro do possível, avançar com a viagem de forma independente. A ideia inicial era alugar um jipe na capital, Mascate, e daí percorrer o norte do país. Até à última semana este era o plano. No entanto, mudámos de ideias a uma semana de partir. O aluguer do jipe era caro e, a diferença de dinheiro para os tours não compensava. Alugar um carro normal não nos permitiria ver muitas das coisas que queríamos. Resolvemos assim, arranjar uma empresa em Mascate, a Arabica Orient Tours, à qual propusemos um plano de viagem para quatro dias, explorando aquilo que nós achávamos mais interessante na região. Juntamente com as sugestões de Sangay, o dono da empresa, criámos um roteiro. O plano passava por conhecer os wadis, montanhas, fortes e deserto do norte de Omã. O preço agradou-nos, dentro do orçamento que tínhamos disponível,  embora continuasse a ser caro. A primeira parte do nosso roteiro para viajar em Omã estava definido.

Viajar em Omã

A viagem para Omã começou logo com precalços. O nosso voo de Zurique para Mascate estava overbooked e nós ficamos de fora! Em troca recebemos 650 Francos Suíços, o que ajudou a equilibrar o orçamento. No entanto, perdemos o dia inicial que tínhamos dedicado para conhecer Mascate. De dez dias que tínhamos para viajar em Omã, ficámos reduzidos a nove.

Primeiro dia 

Quando chegámos a Mascate já era noite cerrada. Depois de esperar quase duas horas no aeroporto pelo pagamento do visto e pelo registo do visto no passaporte, lá entrámos oficialmente em Omã. Apanhámos um táxi oficial para o hotel Mutrah, bem no centro da cidade velha. Não tivemos tempo para ver nada na cidade, apenas que Mascate se prolongava por dezenas de quilómetros e que estava vazia de gente. Era oficial, estávamos a viajar em Omã.

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Segundo dia

No dia seguinte, pelas 8h, Fahad veio ter connosco ao hotel. Seria o nosso guia para os próximos quatro dias. Uma das razões que nos levou a viajar em Omã com um guia foi o facto da maioria dos lugares não terem serviço público de transporte. Mas uma das reais razões prendia-se também com o facto de podermos aproveitar e conhecer parte do país com um habitante local. Alguém que conhece os lugares mais interessantes, sabe onde nos levar e o que ver.

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Nesse dia saímos de Mascate em direcção a Coriate (Quryat). Era cedo mas o calor já apertava. No jipe, o ar condicionado era maravilhoso mas sempre que abríamos a porta sentíamos o calor do golfo Pérsico. Em Coriate visitámos o forte de Coriate, recentemente recuperado (bem ao estilo chinês). No seu interior há uma tentativa de recriação de uma casa típica omanita.

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O forte de Coriate é omanita mas nós estávamos mais interessados no forte antigo, de origem portuguesa, e que jaz abandonado junto ao mar. Os locais chamam-lhe forte velho. Fomos espreitá-lo. Fahad não percebia muito bem porque queríamos ver o forte velho se o novo era muito mais bonito!

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Dali seguimos viagem pela estrada costeira em direcção a Wadi Shab. Ainda passamos pelo Wadi Al Arbeen, onde parámos alguns minutos num miradouro e depois junto à água. Como queríamos fazer o trek do Wadi Shab, Farah aconselhou-nos a não perdermos muito tempo ali e seguirmos para o outro wadi. Foi isso que fizemos. Entre este dois wadis há um sinkhole, um buraco no solo cheio de água, na altura não sabíamos onde era e por isso, infelizmente, não o visitámos.

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Quando chegámos a Wadi Shab, deixamos Fahad para trás e apanhámos um barco para cruzar o rio. Dali seguimos um trilho que segue por uma garganta rochosa de calcário. O trilho está talhado nas bancadas calcárias e o percurso é maravilhoso. Infelizmente, em muitas das secções há tubos plásticos de água, que conduzem a água para jusante. O trilho é fácil e até o fiz de chinelos (não foi propositado, foi mesmo porque saí do jipe com os chinelos e quando dei conta, Fahad já tinha ido embora almoçar).

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Cerca de uma hora depois chegávamos a uma das piscinas principais. Era enorme e com água de tom verde completamente transparente. Deliciámo-nos. O calor era abrasador. Estavam certamente mais de 40ºC e era hora de almoço. Tomar banho naquele wadi foi um dos pontos altos da nossa viagem em Omã. Depois de desfrutar do paraíso, resolvemos regressar e continuar viagem.

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Fahad já nos esperava do outro lado do rio para continuar a viajar em Omã. A estrada levou-nos até Sur, uma cidade costeira. Infelizmente, para além de um belo miradouro da cidade, só conhecemos em Sur uma fábrica de construção de dhows, as embarcações típicas de Omã. Vimos o trabalho árduo e falámos com os trabalhadores, a maioria imigrantes paquistaneses.

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Dali seguiríamos para o deserto. O plano era visitar Wadiba Sands, o deserto de Wadiba (ou Sharqiya), o maior deserto de areia do norte de Omã. Duas horas de viagem depois e estávamos a entrar no deserto. Os primeiros camelos apareciam a comer as parcas ervas que ocasionalmente povoam as areias.

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Alojámo-nos no Arabic Oryx Camp, um campo com todas as comodidades necessárias no deserto. Ficámos num bungalow de adobe, na base das dunas. Fahad combinou connosco ver o pôr-do-sol de jipe nas dunas às 17.30h. Como ainda eram 16.30h, optámos por subir a pé o grande erg situado ao lado do acampamento. Custou um bocado, especialmente devido ao calor, que até queimava pés e mãos, mas ao fim de 30 minutos estávamos no topo. A paisagem era magnífica.

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À hora combinada descemos, entrámos no jipe do Fahad e fomos explorar as dunas e ergs gigantescos. Magnífico! As areias do deserto são sempre cenários que nos deixam sem palavras. Parámos no topo de uma duna gigante para contemplar o pôr-do-sol. Lindo! Pensar que ainda há dois dias estava na Índia parecia-me irreal!

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O nosso jipe estava estacionado de forma inclinada e quando o sol se escondeu o jipe não pegava. Ainda bem que haviam mais jipes nas redondezas e que o içaram até uma posição horizontal. Dali regressámos ao acampamento, onde jantámos e assistimos a um espectáculo de música beduína. Este é um lugar obrigatório visitar para quem viajar em Omã.

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Terceiro dia

No dia seguinte saímos em direcção às montanhas de Jebel Akhdar. Pelo caminho percorremos dezenas de quilómetros quase sem habitações. Os habitantes, esses não se viam em lado nenhum. Inicialmente pensámos que era do calor. No final da viagem, viríamos a perceber que era um misto, é o resultado do calor mas também de uma certa opressão social da sociedade.

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Para ir para Jebel Akhdar, as chamadas Montanhas Verdes, é preciso jipe. Há um controle policial no início da subida. Começámos por subir a montanha, com paisagens verdadeiramente avassaladoras pelo caminho. Fahad levou-nos até ao Miradouro de Diana, um miradouro sobre um dos maiores vales de Jebel Akdar, que deve o seu nome ao facto de a Princesa Diana ter visitado aquele local.

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Como gostámos de aldeias em ruínas, e era isso que queríamos explorar ali, Fahad levou-nos a Wadi Bani Habib, uma aldeia completamente abandonada num pequeno vale nas montanhas. Não fosse Fahad apontar para o local quase não a víamos, já que os tons das casas se confundem completamente com o tom das rochas da montanha. Caminhámos um bocado nas proximidades da aldeia mas não explorámos muito. O roteiro que traçámos era bastante ambicioso para este dia e não tínhamos tempo para trekkings nestas montanhas.

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Sendo assim, seguimos em direcção àquela que seria uma das mais belas aldeias abandonadas que conhecemos em Omã: Birkat Al Mawz. Birkat Al Mawz significa Piscina de Bananas, já que a aldeia está num oásis de palmeiras e bananeiras que cobrem completamente o vale. Subimos a um miradouro para poder apreciar este cenário maravilhoso. Que lugar LINDO! Dali fomos para o palmeiral e até à aldeia, onde explorámos a pé alguns dos edíficios abandonados.

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Uma das coisas mais estranhas nestas aldeias de adobe abandonadas, e que me custou um pouco a entender, é que o abandono das aldeias não está ligado à falta de recursos, ou ao desaparecimento da água dos oásis, ou sequer a catástrofes naturais (como acontecia nas aldeia de oásis que visitámos na Tunísia). A razão que explica o abandono destas aldeias tem unicamente a ver com o facto do governo de Omã ter oferecido casas modernas à população, relocalizando a aldeia a poucos quilómetros da antiga. Os agricultores, dirigem-se agora em jipes modernos para os campos no oásis ao final do dia, cultivando as pequenas parcelas, e passando grande parte do dia em casa no conforto do ar condicionado.

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Passámos por Niwza sem parar. O nosso itinerário leváva-nos ao forte de Jabrin, um forte quase isolado na planície. Considerado um dos fortes mais bem preservados de Omã, a visita vale mesmo a pena, já que há muita informação no local e o preço do bilhete (500 baisa, meio rial) inclui um guia audio bastante informativo. O forte data do século XVII e a visita é bastante interessante e muito completa. Infelizmente, o forte está também recuperado, quase ao estilo chinês, dando um ar muito artificial ao edifício (especialmente por fora).

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A poucos quilómetros dali fica o Forte de Bahla, declarado Património Mundial da Humanidade. Alegadamente desenhado por uma mulher (algo que, diria eu, seria impossível nos dias de hoje em Omã), o forte faz parte de um conjunto de fortificações e muralhas que se prolongam por vários quilómetros, sendo considerados por muitos uma das mais bem preservadas cidades muralhadas de adobe do mundo. Depois de visitar Jiaohe e Gaochang, no deserto de Taklamakan, Bahla soube a pouco.

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Apesar da desilusão, Bahla vale bem a visita. O forte é impressionante e bem reconstruído e, nas proximidades é fácil explorar a parte antiga e abandonada da aldeia em ruínas. No entanto, a vista mais fabulosa do forte, tem-se do topo de uma colina onde as antenas de tv e comunicação servem as novas aldeias da região.

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O dia estava a chegar ao fim e dirigimo-nos a Nizwa, onde nos alojámos num hotel na estrada principal, a cerca de 4 km do centro, o Al Diyar hotel, onde aproveitámos a piscina para arrefecer o corpo dos 40ºC que apanhámos durante o dia. Jantámos no hotel já que a comida era boa e bastante em conta. Os sumos naturais eram verdadeiramente magníficos.

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Quarto dia

Neste quarto dia a viajar em Omã, levantámo-nos para explorar a Montanha da Lua, a Jebel Shams, a montanha mais alta de Omã, com 3009 m de altitude e situada na Cordilheira de Hajar. O dia seria dedicado a explorar a montanha e fazer trek. Começámos por rumar a Misfah. Aí explorámos a aldeia e fizemos parte do trilho W9 que começa na aldeia. Não tínhamos tempo para fazer o trek que segue em direcção à aldeia de Balad Sayt (o trilho w10), já que para isso precisávamos de um dia completo (ou dois se fosse para regressar). Ficou a vontade de um dia voltar.

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Depois de explorar parte do trilho e a aldeia, rumámos a Al Hamra, uma aldeia a dois ritmos na base das montanhas. A aldeia está separada em “velha” e “nova”, sendo semelhante a tantas outras em Omã. O governo de Omã criou casas standard que ofereceu à população e as casas velhas de adobe que estão agora abandonadas.

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Algumas famílias transformaram as casas em pequenos museus e visitámos uma delas, onde dois rapazes que arranhavam o inglês, na companhia de duas mulheres (das poucas que vimos em Omã) e um ancião, nos mostraram o modo de vida tradicional da população.

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Infelizmente (ou felizmente para eles), a maioria destas pessoas de Omã já não vive de forma tradicional. Vivem hoje fechadas em casas cómodas e cheias de ar condicionado, com água dessalinizada gratuita. Tudo pago com o dinheiro do petróleo.

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A visita foi muito interessante, especialmente pelo contacto com os locais, mas dali queríamos rumar a Wadi Ghul e a Al Hayd, no planalto de Jebel Shams. Wadi Ghul é uma aldeia de adobe abandonada, na entrada de um canhão fluvial que lembra o Grande Canyon norte-americano. Em Al Hayd há um mirador fabuloso que permite contemplar a imensidão do canhão, mas o que queríamos mesmo era percorrê-lo.

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Fahad levou-nos até ao parque onde se pode começar o trilho W6 e foi isso que fizemos. O trilho é verdadeiramente magnífico e como tem que se ir e voltar pelo mesmo percurso, demora entre quatro a cinco horas a percorrer. Fahad esperou por nós.

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Quando regressámos vínhamos de coração cheio. Tínhamos tido por companhia apenas algumas cabras, já que os poucos aldeões fogem a sete pés quando nos vêem. Este foi um dos pontos altos no nosso roteiro a viajar em Omã.

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Ao final da tarde voltámos a Nizwa, ao mesmo hotel, onde nos deliciámos na piscina e com os sumos naturais. O dia tinha sido magnífico.

Quinto dia

Levantámo-nos cedo. O plano era visitar Nizwa da parte da manhã e explorar as montanhas da parte da tarde. Começámos por visitar os mercados e souqs de Nizwa. Mais uma vez, uma desilusão. Era quinta-feira (pelo que não vimos o mercado de gado que apenas funciona à sexta) e o souq estava quase vazio; vazio de gente, de lojas, de vida. O souq tradicional já não existe.

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Hoje há um edifício moderno, como qualquer mercado europeu, quase vazio, onde se vendem doces tradicionais, legumes e frutas. Mas até os vendedores são escassos. Mais escassos ainda, são os compradores. Falta gente neste país. O souq próximo do forte, dedicado a artefactos de artesanato, é em adobe, mas completamente recuperado e reconstruído, deixando uma sensação de “artificialidade” já que vende essencialmente recordações para turistas. Algumas lojas ainda vendem porcelana de barro tradicional, conservando um ar mais genuíno.

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O forte de Nizwa também foi reconstruído mas ainda conserva grande parte da estrutura original do século XVII. Tivemos a sorte de encontrar uma escola feminina a visitar o forte e poder falar um bocadinho com as meninas e professoras.

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Para além disso, pudemos ver as filmagens de um filme de Bollywood na torre do forte. Foi o momento alto da visita e que inspirou o Rui a comprar uma roupa tradicional omanita!

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De Nizwa seguimos para Jebel Shams, onde tínhamos estado no dia anterior, mas desta vez para fazer a estrada de montanha que liga Al Hamra a Rustaq, via Hatt e Wadi Bani Awf. Esta estrada é verdadeiramente fabulosa. É uma estrada de montanha em terra batida, com declives vertiginosos e atravessando formações rochosas fantásticas. Pelo caminho passámos por duas aldeias maravilhosas, Bilad Sayt  e Wadi Bani Awf, cuja nascente de água estava quase seca. Demorámos mais de três horas a percorrer de jipe pouco mais de 30 kms. Imagens e sensações que nem as fotografias nem as palavras, conseguem transmitir.

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Quando chegámos ao cruzamento de estradas, Rustaq de um lado, Mascate do outro, seguimos na direcção de Mascate, parando ainda para uma última visita: o Forte de Nakhal, uma dos mais belos que vimos no norte de Omã, e que, de todos os que visitámos, considerámos que foi o que tinha melhor decoração interior, com os quartos recheados de objectos tradicionais.

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Terminámos o dia em Mascate, onde ainda tivemos tempo de visitar o souq, fazer algumas compras, jantar e ver o pôr-do-sol na Cornija em frente ao mar da Arábia. Aqui já vimos omanitas nas ruas, especialmente homens mas também algumas mulheres completamente tapadas por niqabs negros. Viajar em Omã estava a ser diferente do que tínhamos imaginado.

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Sexto dia

Depois de explorar o norte de Omã era hora de seguir viagem em direcção ao sul, a região de Dhorfar. Decidimos apanhar um voo interno de Mascate para Salalah numa Low Cost omanita. Eram 10h da manhã e já estávamos em Salalah. O calor continuava muito intenso. Instalados no Muscat Internacional Hotel Plaza, mesmo em frente à Grande Mesquita, aproveitámos para a conhecer no final do período de oração.

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No entanto, e apesar do calor abrasador (omnipresente durante toda a nossa viagem por Omã), o objectivo do dia era conhecer a cidade e arranjar alguém que nos levasse para o Empty Quarter, a parte sul do Deserto Arábico, e que tem fama de ser um deserto que se estende até perder de vista e repartido por quatro países. Como as agências estavam todas fechadas devido ao calor (e porque era sexta-feira), deixámos isso para o final do dia.

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Começámos por explorar a parte costeira da cidade, onde uma praia belíssima com mar azul turquesa, permanecia deserta. Em frente há várias mesquitas, implantadas na areia, onde os fieis entram e saem. O calor era tanto que estava tudo fechado na cidade. Caminhámos em direcção ao palácio e ao palmeiral da cidade mas, depois de perceber que seria impossível visitar Salalah com aquele calor, regressámos ao hotel. Saímos da parte da tarde, e visitámos as ruínas de Al Balid, o Museu do Franquincenso (ou olíbano) e o Souq Al Husn ou Souq do Franquincenso, onde jantámos. Mas foi na praia Ad Dahariz, na parte norte de Salalah, que conhecemos o Mussallem e com quem desenhámos um tour (caríssimo) para o Empty Quarter, com dormida no deserto, e exploração da região de Dhorfar para os dois dias seguintes.

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À noite explorámos Salalah, a única cidade omanita onde vimos vida nocturna com homens e mulheres (descobertas) nas ruas. A maioria eram, no entanto, imigrantes indianos e do Paquistão. As mulheres omanitas não se vêem.

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Sétimo dia

Neste dia começámos bem cedo. Mohammed, o nosso guia, veio buscar-nos ao hotel. Mohammed é um jovem de 35 anos, muçulmano fervoroso, e de uma humildade notável. Guiou-nos nos dois dias seguintes de forma extraordinária, tentando mostrar-nos sempre mais da sua região, e mostrando com orgulho o seu país.

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Começámos o dia por seguir para leste, em direcção a Taqah, onde visitámos o Castelo de Taqah, do século XIX. Dali seguimos para a praia e para o promontório rochoso, onde se tem uma vista fantástica sobre a povoação.

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Mohammed levou-nos, de seguida, em direcção a Sumhuram (ou Khor Rouri), as ruínas de um dos mais importantes portos marítimos de Omã que data do século I a III a.C.. Era dali, tal como de Al Balid (que tínhamos visitado no dia anterior) que saíam os barcos dhows, cheios de franquincenso, que seguiam para a Índia, China e a até para a Europa ou África.

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Na região de Dhorfar há um wadi (leito de um rio temporário, que só tem água numa parte do ano, aquando da estação das chuvas) que é obrigatório visitar. É o Wadi Darbat, um wadi (ou uádi, em português) que se torna verdejante durante a estação das chuvas (de Junho a Setembro) mas que ainda conserva nesta altura do ano alguma vegetação. A região do wadi estava cheia de gado, vacas e cabras, mas também os omnipresentes camelos que são réis na região de Dhorfar.

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Seguimos em direcção ao deserto, parando numa área de árvores de franquincenso, onde pudemos aprender como se extrai esta resina natural que é considerada por muitos o rei dos incensos naturais. Alegadamente os três réis-magos levaram para o Menino Jesus, ouro, incenso (franquincenso) e mirra.

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Depois de almoçarmos num restaurante local em Thumrait, onde existe uma base militar, e de esperarmos pela oração do nosso guia, seguimos em direcção a Shisr, a aldeia onde foi descoberta a cidade perdida de Ubar, uma cidade de caravanas em ruínas, da qual pouco ainda está exposto, mas que os arqueólogos acreditam ser um tesouro escondido.

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O momento mais esperado estava a chegar, o magnífico deserto Arábico. Atravessámos durante mais de duas horas território inóspito, rochoso e desértico, até alcançar uma povoação onde brota água no deserto. Ocasionalmente aparecem campos agrícolas verdejantes que sacam água fóssil do subsolo e que produzem ervas para alimentar o gado. Uma empresa petrolífera que perfurava a região durante a década de 50 encontrou água fóssil e ela continua aqui a brotar do chão. Ao lado surgiu a aldeia de Al Hashman mas hoje a população já não usa esta água em casa. A água das habitações é abastecida em tanques de água dessalinizada e distribuída pelo governo. A água fóssil é apenas utilizada nos campos agrícolas dos oásis. As casas novas estão fechadas e não se vê ninguém. Apenas uns quilómetros à frente, já no seio das dunas do deserto, vemos alguns criadores de camelos negros do deserto. Temos a felicidade de quase presenciar o nascimento de um camelo. Deve ter ocorrido minutos antes. A placenta e o sangue fresco ainda está no chão. O pequeno camelo tenta, em vão, colocar-se de pé. Um momento mágico de viajar em Omã.

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Seguimos deserto dentro, cerca de 15 km, por entre dunas de areia gigantescas e planícies arenosas solidificadas. Parámos para apanhar lenha para cozinhar. Pequenos troncos esquecidos pelo vento no meio das dunas do deserto. Enquanto o Rui foi ajudar o Mohammed, eu não conseguia parar de fotografar tamanha beleza. A luz estava perfeita. Ainda antes de continuarmos em direcção ao local onde íamos dormir, parámos para apanhar pedras para cozinhar.

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Eram nódulos de geodes! Fiquei completamente siderada! Nódulos de geoges são rochas cilíndricas com cavidades interiores, revestidas com formações cristalinas de Quartzo ou Calcedónia que se formam no interior da terra. Parti uma para ver o seu interior. Magnífico! Acabei por trazer várias para casa na minha mochila.

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Pouco tempo depois encontrámos um lugar fantástico para acampar. Parámos o jipe, montámos os colchões e preparámo-nos para o pôr-do-sol. Subimos à duna mais alta e contemplámos mais um show memorável da natureza. Lindo!

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À noite, passámos o serão na conversa com Mohammed, sobre o Islão e o mundo muçulmano. Partilhámos aspirações, medos, vontades e culturas. Foi uma bela conversa, deitados nas areias do deserto, iluminados apenas pela luz magnífica das estrelas. Estávamos a adorar viajar em Omã.

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Oitavo dia

Ao oitavo dia a viajar em Omã, levantámo-nos com o nascer do sol e o calor já a começar a apertar. Era hora de desmontar acampamento e partir.

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Pelo caminho de regresso à aldeia ainda conversámos com criadores de camelos. Mas o dia ainda tinha muito para oferecer.

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O nosso destino era a estrada de Salalah para o Iémen. Três horas de viagem depois estávamos em Salalah, e daí rumamos a Mughsail, uma praia na parte oeste. O mar azul turquesa e as palmeiras dão um ar idílico ao local. Mas, para variar, não há ninguém na praia. Apenas alguns pescadores, num dos extremos, arranjando os barcos de pesca.

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Seguimos em direcção ao Iémen, parando num dos lugares mais belos que conhecemos em Omã, Fizayah, uma praia de água azul turquesa brilhante, escondida na base de falésias vertiginosas onde trilhos permitem aos camelos descer e beber água que flui até ao mar na época das chuvas. É um cenário irreal. Parámos por ali um bom bocado, desfrutando da praia, do lugar, da aldeia de pescadores e do tempo maravilhoso. Apenas alguns estrangeiros (residentes em Salalah) aproveitavam a praia e para viajar em Omã. A maioria dos estrangeiros que se vêem a viajar no país são residentes nos países do golfo.

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A estrada que nos leva em direcção ao Iémen é verdadeiramente brutal, serpenteando montanhas costeiras e passando do nível do mar para cotas de 1200 m em poucos quilómetros. Tudo isto, com camelos caminhando lentamente ao lado da estrada e, por vezes, atravessando-a.

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Dali para a frente há controle policial. O Iémen está ao virar da esquina. Depois de passar pelo controle, seguimos em direcção ao Iémen, e parámos em Shaat, um promontório rochoso que, segundo Mohammed, tem uma vista fabulosa. Uma nuvem densa e compacta estendia-se desde o topo da aldeia até ao mar e era impossível contemplar a vista. Ainda tentámos descer por uma gruta costeira mas o nevoeiro era muito denso e acabámos por desistir.

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Resolvemos almoçar num restaurante de beira de estrada em Arift, a localidade mais ocidental onde iríamos em Omã. Comemos com os pastores locais e depois regressámos rumo a Mughsail, onde ainda tivemos tempo de visitar a gruta de Marneef e os respiradouros do oceano, buracos nas rochas de onde o mar parece soprar, inundando de água o ar. Parecem geysers.

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Chegámos a Salalah ao final do dia, mas depois de passar pela mesquita para Mohammed orar, ainda fomos a tempo de apanhar o nosso voo de regresso a Mascate. Chegámos à capital já era noite cerrada e fomos directos para o hotel Mutrah.

Nono dia

Este era o nosso último dia a viajar em Omã. Se não tivéssemos perdido o primeiro dia por causa do overbooking, este dia teria sido para dedicar à costa e à região dos wadis. Como não tivemos dia para explorar Mascate, dedicámos o último dia no país para o fazer. Começámos pelo Mercado de Peixe, antes da chegada dos turistas, e depois rumámos para a Grande Mesquita do Sultão Qaboos, onde nos juntámos às multidões de turistas. Aqui aproveitámos para visitar o Centro Islâmico da mesquita e ter uma conversa bastante interessante com um dos  estudiosos do Islão sobre lei Shaaria.

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Regressámos a Mutrah, de onde começámos a percorrer a cornija em direcção a Velha Mascate, passando por várias torres e fortes portugueses. Visitámos algumas torres junto ao mar, o forte Al Mirani e Al Jalali (apenas por fora mesmo depois de tentarmos arranjar permissão junto do Ministério do Turismo de Omã), o Palácio do Sultão e o Museu Bayt al Zubair.

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Terminámos o dia fazendo compras no souq de Mutrah, onde jantámos e descansámos na cornija, fazendo o balanço desta nossa viagem. Viajar em Omã estava mesmo a chegar ao fim.

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Décimo dia

Era dia de regressar a Portugal e deixar Omã para trás. Rumámos ao aeroporto e partimos. Para trás ficou um país diferente daquele que à partida pensávamos que iríamos encontrar. No entanto, viajar em Omã tinha sido magnífico e saímos com vontade de conhecer os lugares que não tivemos tempo de visitar.

Viajar em Omã

Omã é um país com paisagens e lugares deslumbrantes e viajar em Omã é maravilhoso. No entanto, parece-me que falta-lhe algo muito importante. Falta-lhe alma. O país está descaracterizado e perdeu parte do seu humanismo e cultura. O modo de vida tradicional está a desaparecer. As pessoas deixaram de frequentar as ruas, permanecendo os dias e as noites no interior das habitações com ar condicionado. As mulheres vestem agora de negro integral, com hijab (muito poucas, apenas as mais jovens) ou niqab (a maioria delas), que permite ver apenas os olhos. As roupas tradicionais omanitas, coloridas, vistosas e belíssimas, são agora apenas peças de museu. As mulheres não as vestem mais fora de casa (com excepção de datas festivas como casamentos). Viajando em Omã, o contacto com a população local é mínimo e muito difícil. As únicas pessoas que permitem uma aproximação são os imigrantes, especialmente indianos, paquistaneses e do Bangladesh, que partilham connosco sorrisos e risos. Os omanitas são mais distantes e ausentes. De todas as vezes que me tentei aproximar de uma mulher não consegui. Eram fugidias. Os homens, tirando os guias e vendedores, também nos evitam. É um mundo muito fechado e, por muito que me custe admiti-lo, aculturado completamente à modernidade e à globalização. A riqueza e património cultural do país já só existe nos museus e nos fortes reconstruídos. A diversidade cultural do mundo perde-se todos os dias e, em Omã, isso já evidente. Apesar de a parte humana do país me ter desiludido, Omã merece uma visita e quanto mais cedo, melhor. O país tem lugares magníficos e os wadis e os desertos são únicos e inesquecíveis.

Para conhecer melhor a nossa aventura a viajar em Omã, espreite o nosso video. Inspire-se!

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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