Explorando as areias do deserto de Sharqiyah (Wahiba Sands) | Omã

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Areias de Sharqiyyah, ou Wahiba Sands, é a designação de uma região desértica no norte de Omã, com o nome local de Ramlat Al Wihibah, ou Rimal Ash Sharqiyyah. Tem uma área superior a dez mil quilómetros quadrados, com cerca de 180 km na direcção norte-sul e 80 km na direcção este-oeste. Perto da costa, está separada do grande deserto arábico, e pensa-se que terá sido formada no período quaternário, já depois da última glaciação, pela acção de ventos de monção e pelo vento shamal, que sopra sobre o Golfo Pérsico, vindo do Iraque. Apesar de não ter oficialmente a grandeza dos grandes desertos, para quem a visita é igualmente impressionante. E para quem visita Omã, é um local obrigatório, especialmente para quem, como nós, é fã das paisagens desérticas.

Wahiba Sands

Wahiba Sands é acessível pela estrada 23, que liga Sur a Muscate, e o acampamento onde iríamos ficar alojados encontra-se a poucos quilómetros da localidade de Al Wasil, perto de Al Qabil (e Ibra). Dali seguimos por uma “estrada” de areia que acompanha dunas de dimensão crescente, conforme nos embrenhamos no deserto. O Arabian Oryx Camp é um conjunto de bungalows edificados na base de uma duna imponente, e seria lá que passaríamos a noite. Marcamos esta nossa viagem com a Arabica Orient Tours, em Mascate.

Wahiba Sands

A partir do acampamento, era possível fazer uma série de actividades, desde dar passeios de camelo, andar de moto-quatro, fazer sand board, ou fazer uma travessia de um dia no deserto com jeep. Tudo muito caro, e para as quais também não tínhamos tempo.

Wahiba Sands

Subimos à duna ao lado do acampamento, a grande custo, pelo calor e pela dificuldade em andar na areia que facilmente deslizava, e caminhámos um pouco no cimo, tendo acesso a uma paisagem de dunas sem fim à vista. O apelo do deserto, mais uma vez, trazia-nos a um local da Terra onde se pode contactar com essa paisagem tão agreste, mas ao mesmo tempo tão fascinante.

Wahiba Sands

Descemos antes do pôr-do-sol, pois íamos dar uma volta de jeep com o nosso guia, Fahad. Mais do que a emoção da condução, ou a adrenalina de subir e descer dunas, o verdadeiro prazer é poder comungar de um ambiente tão hostil à vida (apesar das espécies animais e vegetais que sobrevivem nas Wahiba Sands) que parece vindo de outro planeta, e que nos torna tão pequenos e insignificantes.

Wahiba Sands

À noite, enquanto admirávamos o céu estrelado (antes da Lua nascer), pudemos assistir a um pouco de música beduína, uma manifestação cultural de tribos que povoam a zona mas que são cada vez menos, devido à atracção de uma vida moderna, com acesso às comodidades da civilização, em detrimento de uma vida nómada, dura e agreste. Ironicamente, enquanto os beduínos procuram a vida moderna, são cada vez mais aqueles que procuram o deserto para ter o gosto, ainda que efémero, da intimidade com a natureza no seu estado bruto, algo que o progresso nos tem tirado, mas que a nossa essência, e o ADN dos nossos antepassados, nos fazem ansiar. E viajar em Omã também é resultado dessa procura.

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No dia seguinte, das Wahiba Sands rumaríamos a norte, em direcção a Nizwa, e à região montanhosa de Jebel Shams, outra das paisagens que são imagens de marca de Omã.

Wahiba Sands

Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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2 Comment

  1. Adriano says: Responder

    Um belo blog, uma bela imagem

    1. Carla Mota says: Responder

      Obrigada, Adriano. 😀

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