Estrada de montanha entre Al Hamra e Rustaq, via Hatt e Wadi Bani Awf | Omã

Estrada de montanha entre Al Hamra e Rustaq, via Hatt e Wadi Bani Awf | Omã

Era o nosso último dia na região montanhosa de Jebel Shams. A nossa base era a cidade de Nizwa, onde estávamos alojados. Após o pequeno-almoço, Fahad, juntou-se a nós no hall de entrada do hotel, e dirigimo-nos para o jipe. Naquele dia íamos fazer uma breve visita ao souk de Nizwa, e depois íamos seguir pela estrada montanhosa que atravessa as montanhas de Al Hajar, percorrendo  o Wadi Bani Awf, até chegar às proximidades de Rustaq. Não o sabíamos, mas iria ser uma das estradas mais espectaculares que já percorremos.

Estrada de montanha entre Al Hamra e Rustaq, via Hatt e Wadi Bani Awf | Omã

O souk de Nizwa acabou por ser uma desilusão. O souk antigo já não existe, e o novo (inaugurado há poucos anos) está localizado em edifícios de aspecto imaculado, que não têm a alma dos mercados de então. Parecem lojas dos chineses, só que vendendo produtos árabes.

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Dali seguimos pela estrada em direcção a Al Hamra, mas como já tínhamos visitado essa aldeia, virámos antes de lá chegar, em direcção a Bilad Sayt e Wadi Bani Awf. Seguem-se quase 25 km de estrada asfaltada, com boas vistas, até chegar ao seu ponto mais alto, Sharfat al Alamayn, onde parámos para tirar fotos à paisagem.

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Mas a partir dali é que começa a aventura. A estrada deixa de ser asfaltada, passa a ser de terra batida e com muita pedra, as dimensões encurtam-se, de forma que só é preciso fazer algumas manobras para dois carros poderem passar lado-a-lado, e o declive acentuado requer perícia na condução. Mas a paisagem… A paisagem é deslumbrante! Seca, agreste, poeirenta, mas simplesmente fenomenal.

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Os especialistas dizem que Omã é um paraíso para os geólogos, e confirma-se. Os diferentes tipos de rochas, as cores, as texturas, a morfologia do terreno, tudo contribui para uma paisagem que, mesmo para os olhos menos treinados, parece ser de um planeta de eras longínquas, quando os antepassados do Homem ainda davam os primeiros passos.

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Quebrando os tons acastanhados da paisagem, e a secura do ar, aparecem ocasionalmente oásis, uma visão dos deuses nestas paragens. A aldeia de Hatt é mesmo junto à estrada, e pode ser explorada a pé, mas, como não tínhamos muito tempo, não parámos. Mais à frente, fazendo um pequeno desvio da estrada principal (cerca de 6 km), chega-se à bonita aldeia de Bilad Sayt, a qual admirámos a partir de um miradouro. Pelo caminho passámos por aquele que, provavelmente, o campo de futebol com a localização mais extravagante do mundo, cujo verde (sintético) contrastava com a paisagem em redor.

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Regressando à estrada principal, segue-se um trecho onde a estrada sobe, serpenteando pela montanha e revelando novos vales e novas vertentes inclinadas. Entrámos em seguida na região do Wadi Bani Awf, um canhão magnífico, sem água na altura, mas que deve ter água torrencial na época das chuvas, uma vez que há vegetação e árvores de fruto que ali dão tons diferentes à paisagem. Estávamos completamente rendidos a esta viagem pela montanhas de Al Hajar e pela beleza do Wadi Bani Awf.

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Dali são já poucos quilómetros até se chegar novamente à «civilização», ou seja, uma estrada asfaltada, e, um pouco mais à frente, surge um entroncamento: para a esquerda fica Rustaq, para a direita, Nakhal e Muscate. Seguimos em direcção a Nakhal, onde visitámos o forte da cidade, construído sobre um promontório rochoso e com uma localização soberba, com vistas privilegiadas sobre a cidade e as redondezas. No seu interior, muitas das antigas salas de convívio, de recepção de convidados, ou ainda aposentos, servem agora de exibição de objectos tradicionais.

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Finalmente, seguimos em direcção a Muscate. O nosso périplo pelo norte de Omã estava a chegar ao fim. Tinha sido uma viagem espectacular, cheia de lugares incríveis, e só pecou por não termos mais tempo para dedicar ao norte de Omã. Mas estava na altura de, após uma breve passagem por Muscate, apanhar um voo interno e viajar até Salalah. Era lá que ia começar o nosso percurso pelo sul de Omã. Novas aventuras nos esperavam.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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