DICAS de viagem em SVALBARD | Noruega

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Svalbard é um arquipélago no Árctico que pertence à Noruega mas goza de alguma autonomia face ao território continental. A capital, Longyearbyen, é a cidade mais a norte do globo e situa-se a cerca de 78ºN de latitude. De Verão ou de Inverno, Svalbard é o local ideal para experimentar a vida no Árctico. Viajar de forma independente nas Svalbard é difícil, especialmente durante o Inverno, mas é possível fazer algumas actividades que não o deixarão indiferente. Para conhecer a vida no Árctico, reserve pelo menos 5 dias para a sua viagem. O ideal será reservar uma semana já que as condições atmosféricas poderão deitar por terra alguns dos seus planos.

DICAS GERAIS

– Para viajar para as Svalbard é necessário passaporte. As Svalbard, apesar de pertencerem à Noruega, estão fora do espaço Shengen.
– Viajar nas Svalbard é caro. Prepara-se para uma viagem pouco económica.
– Marcar o alojamento atempadamente pela internet para evitar dissabores. Há pouca oferta de alojamento em conta (ainda que caro já que estamos na Noruega). Poderá ser um rombo no orçamento se chegar a Longyearbyen e as guesthouses mais baratas estiverem cheias.
– Escolher a época do ano a visitar as Svalbard é essencial. No Inverno, as actividades incluem passeios de trenós puxados a cães, percursos em motas de neve de um ou vários dias, expedições em autonomia e sobrevivência, trekkings invernais, visitas a grutas glaciares e observação de auroras boreais. No Verão, as actividades são bastante distintas, incluindo passeios de barco, kayak, observação da fauna do Árctico como baleias, belugas, focas ou morsas, trekkings nas montanhas e glaciares, apanha de fósseis, etc. Duas estações, duas realidades diferentes. Só poderá ter um destes mundos. A escolha é sua.
– No Verão, acampe. O campismo é perto do aeroporto e a cerca de 30 minutos a pé na cidade. É a opção mais barata.
– Se tem um orçamento muito limitado procure viajar nos meses de Junho, Julho e Agosto porque pode acampar e fazer vários treks pelas imediações. No Inverno, tal não é possível.
– Esquecer comer fora. Os restaurantes são excessivamente caros. O único lugar “barato” na cidade são os hotdogs do quiosque tailandês no shopping. Aí poderá comer um cachorro quente e uma bebida por cerca 70 NOK. No mesmo shopping há um café que também serve bebidas e comidas. Pode ser também uma boa opção para uns dias de “loucura” económica.
– O preço da comida no supermercado é muito diferente daquele ao lado de sua casa. A carne é cara, os legumes também e até mesmo o pão, o queijo ou os enchidos para fazerem sandes podem arruinar o seu orçamento. Compre comida no supermercado e cozinhe ou faça sandes. Atenção, também ninguém vem às Svalbard porcausa da comida, pois não?
– Usar garrafas recicláveis e encher água da torneira todos os dias de manhã. A água é de óptima qualidade. É apenas um comportamento sustentável.
– Visitar o Museu da cidade. É caro mas vale a pena. Custa 75 NOK.
– Sempre que entrar numa casa ou num edifício tire as botas!

VIAJAR NO INVERNO 

Leve roupa bastante quente. As Svalbard ficam a pouco mais de 1200 km do Pólo Norte por isso não subestime as temperaturas. Vista roupa em várias camadas: 
 
1º camada: Roupa térmica isoladora. Leve o maior número de peças possível de primeira camada, já que são as mais baratas e poderá investir em roupa térmica de maior qualidade para as outras duas camadas. Leve várias calças e camisolas de primeira camada para poder mudar frequentemente. Escolha material de primeira camada com características Underwear Polar já que permitem aquecer o corpo para além de absorver a transpiração. São exemplo deste material o Power Stretch® da Polartec.
 
2ª camada: Térmica polar ou de aquecimento. Esta camada permite-lhe ajustar a roupa à temperatura exterior. Deverá usar forros polares para manter o calor corporal. Um dos materiais mais utilizados é o Polartec. Escolha valores elevados de Polartec (300) já que quanto maior, maior será a capacidade de aquecimento. Se estiver muito frio, vista mais do que uma segunda camada. 
 
3ª camada: Camada exterior e impermeável. Esta é a parte mais cara da sua roupa. Deve optar por usar roupa de boa qualidade nesta camada caso contrário andar na rua será um suplicio. Opte por tecidos Gore-Tex e Windstopper já que o vento e a neve irão fazer parte dos seus dias nas Svalbard. O vento é muito comum, tanto no Verão como no Inverno, mas os ventos de Inverno podem fazer baixar as temperaturas de -15ºC para uma sensação térmica de -35ºC. Com estas temperaturas não vai querer andar na rua, a não ser que esteja bem equipado. Assim, investir na roupa é condição essencial para uma viagem de sucesso. Para maior conforto, é recomendável levar um casaco de plumas de ganso (ou fibras sintéticas – ex. PrimaLoft®). Tenha só presente que os casacos de plumas de ganso se apanharem humidade ou água perdem a sua capacidade de isolamento térmico. 

Para além disso, leve boas meias, gorro, luvas, balaclava, óculos de sol, óculos de neve, umas boas botas de neve e protector solar.

VIAJAR NO VERÃO

Para viajar no Verão terá que ter cuidados semelhantes com a roupa já que, mesmo em Junho e Julho as temperaturas durante a noite podem ser muito baixas. Vista-se sempre em camadas. No que diz respeito à 1ª camada opte por material de Base Layer, por tecidos de sistema Coolmax® e o Power Dry® da Polartec, já que absorvem melhor a transpiração. Nesta estação provavelmente não necessitará de investir tanto no casaco da 3ª camada. Se for acampar, leve um bom saco-cama, capaz de suportar temperaturas negativas, já que as noites aqui são “polares”.

TURISMO SUSTENTÁVEL

Nas Svalbard vivem pouco mais de 2000 habitantes e mais de 3000 ursos polares. Este é território árctico e os “invasores” são os humanos. Não se esqueça que a preservação deste habitat natural está na mão das pessoas que habitam o Árctico e que, todos aqueles que aqui vivem, aceitam essa comunhão com a natureza, Assim, na qualidade de “visitante” deste reduto natural, respeite o habitat dos ursos e demais fauna. Respeite as ordens dos guias e da população local. Não se coloque em risco e não coloque a vida dos animais em risco por causa de um capricho. Não deve aproximar-se em demasia dos animais tais como raposas polares, renas ou focas, bem como é terminantemente proibido apanhar flores. As multas podem arruinar as suas férias. Lembre-se, você está na casa de outros, respeite-os.
Nunca ande sozinho. Em passeio, trekking ou de mota de neve, vá em grupo. Sempre que sair da área da cidade deve levar consigo uma arma de alarme e uma espingarda para se defender dos ursos. Esta é uma das principais razões pelas quais a maioria dos visitantes faz viagens organizadas. Nunca se sabe quando será o próximo encontro com o “rei” do árctico. 

TRANSPORTES

Como ir: No que diz respeito aos transportes não há muito que enganar. Só existe um aeroporto comercial que se situa na cidade de Longyearbyen. Marque o seu voo. Daí até ao centro existe um shutle bus combinado com cada um dos voos que chega ao arquipélago e que o deixa ficar nos principais hotéis e guesthouses da cidade. 
Para voar para as Svalbard terá que voar para Oslo ou para Tromso, na Noruega. Há voos diários com a SAS e com a Norwegian Air. Os preços desde Oslo podem variar entre 160€ (ida/volta) e 600€ (ida/volta). Para conseguir bons preços voe durante a semana e marque os seus voos com bastante antecedência. 

No Verão, é ainda possível chegar às Svalbard de barco de cruzeiro, embora esta opção não esteja ao alcance da maioria dos mortais. Há, no entanto, uma barco cargueiro que liga Tromso a Longyearbyen uma vez por semana. Geralmente é difícil este barco admitir estrangeiros mas poderá tentar. O preço do barco é semelhante ao do avião e a viagem demora dois a três dias.

Dentro das Svalbard: Movimentar-se nas Svalbard depende muito da estação do ano. No Inverno, os carros circulam nas poucas ruas da cidade e entre o aeroporto e a mina 7. A maioria dos lugares só são acessíveis de mota de neve. No Verão, as estradas estão livres de gelo e neve e é possível andar de carro e de bicicleta (é possível alugar bicicletas na cidade e no parque de campismo). Nesta altura do ano, a maioria dos lugares são acessíveis no barco da MS Polargirl, operado pela Polar Charter.   

ALOJAMENTO

Há vários tipos de alojamento na cidade. A área mais perto do porto é onde se localizam os principais hotéis, próximos de todos os serviços e agências de viagem. Os preços destes hotéis são mais caros. Na parte sul da cidade, no cimo da rua principal e a cerca de 20 a 30 minutos a pé do centro, localizam-se as guesthouses mais económicas mas ainda assim com tarifas que rondam os 100€/noite o quarto duplo. Em frente ao aeroporto há um parque de campismo, a opção de alojamento mais barato para ficar na cidade. As Svalbard são um destino bastante caro, por isso vai ser difícil viajar de forma económica se não fizer campismo. Poderá também optar pelo couchsurfing. Existem alguns membros activos em Longyearbyen. 

O QUE VISITAR OU FAZER?

Nós visitamos Svalbard no mês de Março e Abril pelo que tudo estava coberto de neve e com temperaturas típicas de Inverno. Assim, as sugestões de actividades que aqui lhes deixamos são aquelas que nós fizemos e que recomendamos vivamente. Quem viaja no Verão terá obviamente outras actividades para usufruir. 
 

Passeios de trenós

Green Dog Svalbard é uma agência turística em Longyearbyen que efectua percursos turísticos em trenós puxados a cães pelos vales da ilha Spitsbergen, alguns de várias horas, outros de vários dias. Esta é uma experiência obrigatória e inesquecível. Uma viagem de 4 horas de trenó custa 1290 NOK e vale cada cêntimo. Não saia de Svalbard sem fazer isto. Pode ver mais aqui.

Trekking Invernal e visita a uma gruta de gelo glaciar

Nenhuma viagem a Svalbard estará completa sem um trek invernal pelas montanhas cobertas de neve. Apesar das condições atmosféricas poderem não ser as melhores, esta é uma experiência obrigatória no Inverno de forma a apreciar mais de perto a beleza e as agruras do Árctico. Arranjamos na Svalbard Wildlife Expeditions, um tour que combina um trek sobre um glaciar (aproximadamente 2h de subida e 1h de descida) e a entrada numa gruta de gelo. Assim, pudemos desfrutar de uma caminhada em ambiente invernal e uma visita ao interior de um glaciar. Esta é uma excelente opção para visitantes mais aventureiros e que gostam de desafios. A paisagem durante o trek é avassaladora e a experiência de estar dentro da gruta de gelo é verdadeiramente esmagadora. O tour com trek e visita à gruta de gelo custa 730 NOK. Pode ver mais aqui
 

Exploração de uma gruta glaciar

Para explorar o glaciar por dentro, recorremos aos serviços de uma empresa “líder” do mercado nas Svalbard: Spitsbergen Travel, que oferece tours às grutas no gelo glaciar. Parece demasiado radical? Pois não é assim tanto. Quer visitar uma gruta de forma mais cómoda e menos aventureira? A Spitsbergen Travel tem a solução. Um dos tours leva-o num snow cat ao longo do vale, subindo o glaciar coberto de neve até à entrada da gruta. O facto do tour ser feito com transporte em Snow Cat faz com que esta visita esteja ao alcance de todos. O tour custa 795 NOK e é fantástico. Pode ver mais aqui.

Visita em mota de neve ao glaciar e a Tempel Fiorde

As opções de percursos ou expedições fora da cidade são inúmeras, dependendo basicamente da disponibilidade em termos de dinheiro e de tempo. Existem várias companhias turísticas especializadas que têm percursos já delineados, de um ou mais dias, ou que podem mesmo planear uma expedição ao gosto pessoal (e carteira) dos turistas. No entanto, nós optamos por uma opção ainda mais personalizada. Conhecemos o Nuno Cruz pelo Facebook. É português e trabalha como guia freelancer do Árctico e, durante a nossa estadia em Svalbard, tornamo-nos amigos. Juntamente com o Nuno, alugamos motas de neve e fizemos um percurso até Tempel Fiord. O Nuno é muito mais do que um guia do Árctico, o Nuno é a pessoa certa para todos aqueles que querem conhecer as Svalbard. Vejam a nossa experiência aqui.

Passeio pela cidade de Longyearbyen

Banhada pelo fiorde de Advent (Adventfjorden), a cidade tem montanhas que a rodeiam pelo norte e pelo sul, onde se podem admirar dois glaciares, o Longyearbreen e o Lars HjertabreenJunto ao fiorde, um passeio pela “marginal” é obrigatório. A cidade tem galerias de arte, bares e uma discoteca. É obrigatório visitar o Museu de Svalbard, no mesmo edifício da universidade, com uma exposição muito bem organizada e informativa sobre a vida dos exploradores, caçadores e mineiros, pioneiros do árctico, e da vida selvagem do arquipélago. Vale a pena explorar também a herança da cultura mineira da ilha. Pode ver mais aqui.
 

Visitar o Cofre Forte Global de Sementes

Longyearbyen pode-se gabar de ser o local da Arca do século XXI. O governo norueguês e as Nações Unidas construíram, em 2008, o “Cofre Forte Global de Sementes” (Global Seed Vault), escavado no interior de uma montanha sobranceira ao aeroporto da cidade, e que já armazena mais de 4 milhões de amostras de sementes oriundas de todo o mundo.

No Verão ou no Inverno, o Árctico é sempre um local impressionante. Gronelândia, Alasca, Lapónia ou Svalbard, não deixe de visitá-lo. O Árctico não desilude ninguém, nem mesmo o viajante mais experiente.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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