Um regresso a Cochim (Kochi) dez anos depois… | Índia

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Passaram 10 anos desde que estive em Cochim (ou Kochi) pela última vez. Cochim foi um dos lugares que mais marcou a minha viagem pela Índia em 2007. Hoje, percorrendo a cidade, lembro-me de rir nestas ruas e de me sentir verdadeiramente feliz aqui. Passou tanto tempo desde que estive em Cochim e ao mesmo tempo parece que foi ontem (mas não foi e a fotografia seguinte mostra o quanto mudei).

Kochi Cochin Cochim

Há muito que prometi a mim mesma que 2017 seria o ano de regressar à Índia. O que não sabia é que regressaria duas vezes neste ano, primeiro para o Kerala Blog Express, promovido pelo Turismo de Querala, e a segunda, tal como eu e o Rui tínhamos planeado, acontecerá neste Verão. Cochim foi o primeiro lugar que repeti e senti-me bem em voltar aqui. Dez anos depois, Cochim mudou, mas eu também mudei. Não sei quem mudou mais, se eu, se a Índia, essa minha amada Índia, o país que, ou se odeia, ou se ama. Eu sempre a amei e amo cada vez mais.

Kochi Cochin Cochim Kerala Blog Express

Quando aterrei no aeroporto de Cochim, o Rishabh, do Kerala Blog Express, estava à minha espera e tratou de me arranjar um táxi para o hotel onde me alojei na cidade. A minha primeira pergunta foi:

– É perto do centro? Dá para eu explorar a cidade a pé?

A sua resposta afirmativa deixou-me satisfeita. Eram 8 horas da manhã e, apesar de não ter conseguido dormir no avião, estava completamente pronta para me reencontrar com a Índia. Queria fazê-lo sozinha. Precisava desse momento e desse espaço. Comecei por encontrar a Índia que amava no motorista que me levou para Forte Cochim, a zona histórica da cidade e onde se localiza o Xandari Harbour, o hotel que me recebeu num mega quarto durante duas noites. O motorista, cujo nome não me consigo recordar, conversou comigo pelo caminho e depois de lhe dizer que adorava a Índia e que era a minha segunda vez no país, ficou tão contente que decidiu que me ia mostrar um outro lado da cidade. Em vez de irmos directamente para Forte Cochim, propos-me ir a Ernakulam, e aí apanhar um ferry local e entrarmos em Forte Cochim de barco, bem de frente para as redes de pesca chinesas. Só não lhe dei um beijo porque nos tínhamos acabado de conhecer, mas pulei de contentamento no carro. Pelo caminho, cruzámos alguns canais cheios de redes de pesca.

A primeira fotografia é de 2007, a segunda de 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Ernakulam é a parte moderna de Cochim, uma cidade dentro de outra cidade. Na margem oposta de Forte Cochim vêem-se poucos turistas já que não há grandes atracções ali, para além de observar a forma de vida tradicional de uma cidade indiana.

Kochi Cochin Cochim

Os olhares atentos da população local entravam na minha memória como se estivesse a escavar um lugar profundo dentro de mim. Revivia alegria e sorrisos que, apesar de pertencerem a pessoas diferentes, me faziam sentir o mesmo que 10 anos antes. Entrei no ferry a pé e juntei-me a dezenas de incógnitos que fazem essa travessia todos os dias. O tempo estava maravilhoso. O céu azul, a luz do início da manhã, o cenário de palmeiras iluminadas nas margens e as redes de pesca chinesas omnipresentes em todas as águas paradas de Querala.

A primeira fotografia é de 2007, a segunda de 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

O ferry aproximou-se de Forte Cochim, o local onde os portugueses construíram um forte para defender as suas possessões na Índia dos avanços dos holandeses e ingleses. Porém, não seria suficiente. Um dia, os portugueses, os primeiros ocidentais a colonizar este território, iriam cair e dar lugar a outros. Saio do ferry e volto a entrar no táxi, que segue viagem por uma rua estreita por pouco mais de 500 metros.

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

O Hotel Xandari Harbour é logo ali ao lado. Fico boquiaberta com a beleza da piscina infinita e com o luxo do espaço. Mas esta não é a Índia que quero reencontrar. Depois de conversar um pouco com Lívia, uma blogger brasileira do blogue Eu Sou à Toa, aproveito que o quarto não está pronto e saio sozinha para explorar a cidade. Foi para isso que vim.

A primeira fotografia é de 2007, a segunda de 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Apenas com a minha máquina fotográfica e o coração aberto, preciso deste reencontro. É um reencontro com a minha Índia, a Índia que tanto marcou a minha forma de estar no mundo e na vida. Em tom de brincadeira costumo dizer que quem nunca foi à Índia nunca viajou. Parece brincadeira, mas não é. Só quem pisou esta terra que Deus criou de forma tão bela (o lema de Querala é “Gods own country”, que em português seria qualquer coisa como “a casa de Deus”)  pode compreende-lo.

Kochi Cochin Cochim

As ruas continuam iguais. O lixo existe, mas em muito menor quantidade do que no norte da Índia, tal como me lembrava delas. As ruas estão agora mais limpas. Na zona histórica, quase já não parece a Índia. Quando chego às redes de pesca chinesas, encontro-as tal como as deixei 10 anos antes. Até os rostos dos pescadores e dos vendedores de peixe do mercado local me parecem familiares. Só posso estar a alucinar. Não poderia ser possível.

As duas fotografias são de 2007. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Porém Cochin mudou e muito. A avenida marginal em frente às redes de pesca está cheia de vendedores de roupa e de artesanato. Até me fez lembrar Goa. Mas a principal mudança encontrei no bairro histórico. A maioria dos edifícios coloniais foram convertidos em guesthouses, restaurantes, cafés, lojas, agências de viagem, etc. Todo o bairro mudou. Está mais colorido, mais cheio de vida e preparado para os viajantes. No entanto, esvaziou-se de vida local.

A primeira fotografia é de 2007, a segunda 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Procuro a igreja de São Francisco. Foi ela a razão pela qual visitei Cochim 10 anos antes e era ela que mais tinha vontade de rever. Foi aqui que Vasco da Gama foi sepultado quando morreu de doença. Aqui esteve cerca de 14 anos, quando o seu filho decidiu empreender uma viagem desde Portugal até à Índia para recuperar o seu corpo e transladá-lo para o Mosteiro dos Jerónimos, em Portugal.  A igreja continua igual, por dentro e por fora, e a alusão à história e túmulo de Vasco de Gama continuam lá. Mas agora já não se pode entrar com calçado na igreja. À semelhança do que acontece nos templos hindus e mesquitas, os visitantes têm de se descalçar.

A primeira fotografia vertical é de 2007, as outras de 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Lembrava-me de ver ali uma guesthouse chamada “Vasco Homestay”. Procurei-a e encontrei-a. Fazia parte das minhas memórias e continuava lá, embora com uma placa mais moderna. Ao lado existe agora o Vasco Café, talvez um upgrade decorrente do crescente turismo da região.

A primeira fotografia é de 2007, as outras de 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Outra das memórias mais felizes que tinha de Cochim foi de ir com o Rui ao mercado de peixe, onde comprámos lagostas e lagostins e entregámos num restaurante local e pedimos que o cozinhassem. Procurei o restaurante e encontrei. Senti-me sorrir ao recordar esses momentos maravilhosos.

As duas primeiras fotografias são de 2007, a terceira de 2017. 

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Kochi Cochin Cochim

Passaram 10 anos desde que estive em Cochim pela última vez. Cochim foi um dos lugares que mais marcou a minha viagem pela Índia em 2007. Hoje, percorrendo a cidade, lembro-me de rir nestas ruas e de me sentir verdadeiramente feliz aqui. Passou tanto tempo desde que estive em Cochim e ao mesmo tempo parece que foi ontem.

Kochi Cochin Cochim

Outro dos lugares que guardava na minha memória era a guesthouse onde fiquei alojada. Procurei-a mas não a encontrei. Fiquei triste. O mesmo aconteceu como o local onde tinha visto um espectáculo de Kathakali. Como não encontrei o local que visitei há 10 anos atrás, resolvi ver dois espectáculos em dois lugares distintos, um no Kathakali Center, que foi o que mais gostei, e outro no Greenix O primeiro é uma escola de Kathakali, o espectáculo é mais longo, e conta uma parte da história do Ramayana. A entrada custou 200 rupias. Ao outro fui com o grupo do Kerala Blog Express. A entrada custa 500 rupias e tem uma primeira actuação de Kathakali e depois danças tradicionais de Querala.

Kochi Cochin Cochim

Este regresso à Índia estava a abrir um novo capítulo na minha vida. Há quem diga que não se deve regressar a um lugar onde fomos felizes. Eu penso que é sempre bom regressarmos a lugares onde fomos felizes, já que podemos reviver momentos maravilhosos e, quem sabe, construir outros. É isso que espero deste e dos meus próximos regressos à Índia.

Kochi Cochin Cochim

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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1 Comment

  1. […] Cochim não é a capital de Querala mas é a sua mais cidade e aquela que recebe mais visitantes. Esta situação não ocorre por acaso, ocorre porque Cochim é mesmo uma cidade maravilhosa e a porta de entrada para explorar Querala, as Águas Paradas (backwaters) e o sul da Índia. […]

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