Explorando as Águas Paradas (Backwaters) em Alleppey, a bordo de uma casa-barco | Índia

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As backwaters de Querala são como veias de um organismo vivo, transportando os nutrientes pelo corpo. As águas, essas, são como sangue, que corre e leva vida para o interior deste estado indiano.

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As chamadas Backwaters são o ex-libris de qualquer viagem a Querala. Apesar de a região ter mais dezenas de lugares maravilhosos, a verdade é que as Águas Paradas são mesmo uma das suas paisagens mais belas. Nenhuma viagem a Querala pode excluir a visita às backwaters, independentemente de ser por um dia ou por vários.

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Há quem considere este é um dos lugares mais românticos onde passar a lua-de-mel, a bordo de uma casa-barco, que navega durante o dia pelos canais do delta. As backwaters de Querala são o conjunto de mais de 1500 km de canais, 38 rios e cinco lagos navegáveis, onde as casas-barcos e os pequenos barcos de junco navegam, transportando turistas e população local.

Não há muito para fazer nas backwaters, com excepção de apreciar a vida local, os ritmos da população, a comunhão das gentes com a terra ou o sorriso das crianças. A vida desenrola-se a um ritmo lento, talvez à velocidade com que a água é drenada em direcção ao mar.

As casas-barco que hoje atraem tantos turistas, eram outrora utilizadas para transportar o arroz em direcção ao porto de Cochim. Mas, a abertura de novas estradas e o desenvolvimento das vias e meios de comunicação e transporte, levou a um abandono progressivo dos barcos.

Alguém, com espírito mais empreendedor, resolveu converter um dos barcos ao turismo e, em poucos anos, as backwaters passaram de três casas-barco para mais de duzentas. As plantações de arroz ainda se vêem na margem dos canais, assim como homens a trabalhar no transporte dos sacos cheios deste cereal.

O modo de vida rural e agrário continua. A maioria da população vive da agricultura e utiliza os canais nas suas lides diárias. Crianças enchem os barcos pequenos para cruzar os canais de um lado para o outro, a caminho e no regresso da escola. Jovens raparigas remam barcos pequenos parecendo passear-se num cenário idílico. Homens e mulheres pescam ainda de forma tradicional nos canais mais estreitos.

A cultura do coco é ainda uma das mais importantes. O coco que serve de alimento, serve também de bebida natural (água de coco) e para fazer cerveja (todi), depois de fermentar. As fibras do coco são usadas para fazer cordas, camas, objectos de decoração, etc. Tudo é aproveitado.

Alleppey é a porta de entrada para explorar as backwaters. Ali é fácil encontrar alojamentos em terra, com vista para os canais, mas a verdadeira emoção está em dormir numa casa-barco, que atraca durante a noite para ter uma noite sossegada.

Da primeira vez que visitei as backwaters, há 10 anos atrás, fi-lo apenas por um dia. Saí de Cochim de manhã e regressei à noite. Na altura comprei um tour com uma agência local. Desta vez, a opção foi passar a noite numa casa-barco.

Passar uma noite numa casa-barco é uma experiência memorável já que permite apreciar verdadeiros espectáculos da natureza, ao nascer e pôr-do-sol.

As duas experiências são memoráveis, mas se tiver tempo opte pela segunda. Faz toda a diferença. Se tiver ainda mais tempo, o que recomendamos é que durma uma noite numa casa-barco, explorando os canais e os lagos. Numa segunda noite, escolha um hotel em Alleppey com vista sobre os canais e, no dia seguinte, apanhe um barco pequeno para explorar os canais mais estreitos. Com três dias aqui terá uma experiência magnífica e completamente avassaladora. E sim, é mesmo romântico.

Carla Mota

Geógrafa com uma enorme paixão pelas viagens e pelo mundo. Desde muito cedo que as viagens de exploração fazem parte da sua vida, culminando num doutoramento nos Andes, investigando ambientes glaciares. A busca do conhecimento do mundo leva-a em direcção a culturas perdidas e ameaçadas, tentando percebe-las. Hoje é também líder de viagens de aventura na Nomad.

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