ROTEIRO para um dia em BRUGES (desde Bruxelas) | BÉLGICA

Bruges

Pode dizer-se que o capitalismo nasceu na Flandres, e Bruges foi durante muito tempo o expoente máximo da nova classe mercantil que parecia ser a chave da riqueza e do progresso. Foi ali que se trocaram acções pela primeira vez e foi ali que o mercantilismo deu os primeiros passos. Mas também foi ali que os comerciantes se deram conta que o poder económico teria de medir forças com o poder político e religioso.

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Nos seus tempos áureos, Bruges era um centro de produção e comércio de têxteis. A sua fortuna vinha daí, mas era necessário uma ligação ao mar para escoar os produtos e para receber os compradores e os produtos que vinham de toda a Europa. Quando o canal que ligava a cidade ao mar assoreou, aliado a múltiplos conflitos religiosos e querelas com várias potências ocidentais, a cidade entrou em declínio, passando o testemunho à vizinha Antuérpia.

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Mas a riqueza de Bruges não ficou esquecida nas brumas da história. Depois de ter permanecido adormecida durante 400 anos, o turismo reanimou-a e o espírito empreendedor dos seus habitantes e visitantes veio novamente ao de cima. Mas não só de turismo vive Bruges. A ligação ao mar retornou no início do século XX, e a produção industrial revitalizou a economia. Hoje são muitos os produtos, alguns de alta tecnologia, que são exportados pelo porto de mar que tem ligação à cidade pelo Boudewijnkanaal.

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Hoje, o núcleo histórico de Bruges faz desta uma das cidades medievais mais bem preservadas do mundo, dado o seu centro nunca ter sido muito industrializado e ter sido poupada à destruição maciça das duas grandes guerras. A sua beleza é difícil de igualar. Praças rodeadas de edifícios históricos e torres medievais, igrejas centenárias, ruelas sinuosas, tudo rematado com os lindos canais que atravessam a a cidade.

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Bruges fica a uma distância confortável de Bruxelas, permitindo uma visita de um só dia a partir da capital. À partida, preferiríamos passar uma noite em Bruges, mas como estávamos numa “escapadela” de um fim-de-semana, o tempo era curto e resolvemos fazer de Bruxelas a nossa base. Saímos de Bruxelas de manhã cedo, e chegámos a Bruges de comboio por volta das dez da manhã (o comboio demora cerca de 1h30m). A estação de caminho-de-ferro está convenientemente localizada perto do centro histórico da cidade, por isso deslocámo-nos a pé até lá. A seguir apresentamos, por ordem, o nosso percurso pela cidade e o que consideramos mais importante. O percurso tem cerca de 7 km e nós fizemo-lo todo num dia.

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1. Onze Lieve Vrouwewerk (Igreja da Nossa Senhora)

É uma bonita igreja do século XIII, com uma enorme torre encimada por uma flecha. O seu interior está recheado de obras de arte, das quais se destacam uma escultura de Miguel Ângelo, “Madonna e o Menino”, a única do artista a sair de Itália durante a sua vida, mas que, infelizmente só se pode admirar de longe e atrás de um vidro.

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Os túmulos esculpidos de Carlos, o Bravo, e sua filha, Maria de Borgonha, que viria a casar-se com Maximiliano, da Áustria, deixando, à sua morte, a Flandres sob a regência dos Habsburgos, são impressionantes.

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2. Museu Groenige

É o principal museu da cidade, recheado de pinturas de mestres flamengos e holandeses. A riqueza gerada pela classe mercantil emergente permitia o financiamento das artes e a criação de novas correntes, por exemplo, o retrato familiar e de grupo. A obra com mais impacto é talvez o Tríptico Moreel (1484).

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3. Museu Arenshuis

Ao lado do Museu Groenige, este pequeno museu pode ser visitado com um bilhete conjunto. Na realidade, apenas o fizemos porque era lá que se encontrava (temporariamente?) um dos mais famosos quadros da história da pintura: o Tríptico do Juízo Final (1ª metade do século XV) de Hieronymous Bosch, cuja obra terá sido uma das fontes do movimento surrealista do século XX. O Juízo de Bruges, que terá sido realizado entre 1505 e 1515, não é o único trabalho de Bosch que tem como tema o Juízo Final, sendo que ficaram para a história as suas representações do inferno e da decadência humana, com uma profusão de seres demoníacos e imaginativos castigos dos pecadores.

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4. Vista dos canais (Rio Dijver)

Um dos pontos altos de uma visita a Bruges é passear pelas ruas ao longo dos canais, e admirar as fachadas das casas e a harmonia da cidade. As vistas mais bonitas serão as de Rozenhoedkaai, de onde atravessámos o mercado de peixe (Vismarkt) e a rua do Burro Cego (Blinde Ezelstraat) para chegar ao Burg, outrora o centro político e religioso de Bruges.

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5. Burg

É uma praça lindíssima, rodeada de edifícios históricos, entre os quais a Stadhuis, ou Câmara Municipal, e uma igreja, a Basílica do Sangue Sagrado (Heilig Bloed Basiliek) que tem uma das relíquias mais preciosas da Europa: um frasco de vidro que se diz conter gotas de sangue retiradas do corpo de Jesus Cristo por José de Arimateia.

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Tivemos muita sorte, pois a relíquia estava em exposição quando visitámos a basílica, mas o resto da igreja é também muito impressionante.

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6. A nordeste do centro

Do Burg fomos até à Jeruzalemkerk, que apenas vimos por fora, e seguimos pela Peperstraat até Kruispoort, um dos portões das antigas muralhas de Bruges, e que dava acesso à cidade fortificada pelo oriente. Ali seguimos junto ao rio e passámos por dois moinhos (a cidade chegou a ter vinte), o St Janhuismolen e o Koeleweimolen, sendo que o primeiro é original da cidade, erguido em 1770.

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A seguir, regressámos ao centro da cidade, passando pela Jan Van Eyckplein, uma pequena praça ao fundo de Spiegelrei, onde almoçamos num pequeno restaurante e descansámos um pouco. Depois de almoço seguimos até ao Markt.

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7. Markt

É a principal praça da cidade e onde, pela primeira vez, vimos turistas em grandes números. Dominada pelo Belfort (campanário), onde estava guardada a carta da cidade. Pode subir-se ao cimo para uma vista aérea da cidade, mas não o fizemos. O rés-do-chão dos edifícios históricos está repleto de restaurantes e lojas, e na praça não faltam os vendedores de batatas fritas (com uma variedade de molhos) e outra fast food.

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8. De volta à estação de caminho de ferro

Dali seguimos pela rua mais comercial da cidade, Steenstraat, até chegarmos à Sint Salvator-Kathedraal, a catedral da cidade. Queríamos voltar ainda a Bruxelas, por isso regressámos à estação ferroviária. Pelo caminho pode ainda dar-se uma espreitadela ao Minnewater, um parque que foi outrora o movimentado porto que ligava a cidade ao mar.

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Estava na altura de regressar a Bruxelas, e estávamos plenamente satisfeitos. Bruges tinha superado as nossas expectativas e constitui uma visita obrigatória para quem visita a Bélgica, nem que por apenas alguns dias.

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Rui Pinto

Físico de formação mas interessado em todos os aspectos da cultura e história da humanidade. As viagens são o meio privilegiado para um aprofundamento do conhecimento do mundo, das suas gentes e do nosso papel na vida.

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4 Comment

  1. Valéria says: Responder

    Bom dia! Descobri o vosso blog hoje e estou fã! Onde recomendam comer em Bruges? Obrigada

    1. Rui Pinto says: Responder

      O que experimentamos está no blogue: Amadeus e Mare du Nord.

  2. Cristina Lopes says: Responder

    Agradeço a vossa partilha, muito interessante. Estamos a ponderar uma viagem em família a Bruxelas com um dia em Bruges. Pelo que entendi apanharam o comboio por volta das 8 e 30 e a que horas efetuaram o regresso. Temos duas crianças e esta pode ser uma viagem a realizar num dos feriados de Dezembro, pelo que toda a informação é útil. obrigada. Cristina Lopes

    1. Carla Mota says: Responder

      Olá Cristina, apanhámos o comboio por volta das 8h e regressámos por volta das 18h.

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